sábado, 22 de fevereiro de 2014

Almas Peregrinas

Somente o barulho do mar e do vento era possível ouvir. Batiam violentamente no grande rochedo que protegia a pequena casa de madeira, construída há mais de cinquenta anos, por um jovem cigano. Só existia um caminho que levava à simples morada: a velha estrada de chão batido, que a poeira e o mato tomavam conta. Ali, onde foi palco de grandes acontecimentos, hoje é um local guardado pelo tempo. Ao olhar as paredes da velha casa é possível sentir as energias que ainda pairam no ambiente. As tábuas, separadas e retorcidas pelas agressões da chuva, do sol e do vento, mostram fotografias cinematográficas de um tempo de pura magia existencial. As telhas, que apesar das tempestades de granizo, ainda suportam a ventania do vento sul. Ao longe é possível ver um majestoso farol, que nos temporais avisa aos navegantes que é região de rochedos. A casa foi construída no início dos anos cinquenta, quando o cigano Pedro e a alemã Letícia resolveram construir uma nova vida. As terras pertenciam ao tio de Letícia, dono da maior parte das fazendas e sítios do Pontal do Grande Rochedo. Pedro era um jovem forte e moreno, com longo cabelo preto e amarrado, tipo característico de um verdadeiro cigano. Tão logo chegou ao Brasil, vindo exilado da Iugoslávia, procurou um local mais distante para começar uma nova vida. Quando caminhava pelo Porto de Itajaí, Pedro passou por uma moça loira, muita bonita. O olhar foi tão profundo, que fez com que ela desse dois passos para frente e parasse. Parou e ficou pensando: por que esse moço olhou tanto para mim? Será que ele me conhece? Como foi educada para não conversar com estranhos, seguiu em frente, mas com o coração batendo forte. Pedro não suportou o som dos passos da linda moça desaparecendo em direção à praça e gritou alto: - Você pode me dar uma informação? Não sou desta cidade e quero que alguém me oriente. Nesse instante, a moça de olhos verdes e cabelos loiros, ao ouvir a voz do rapaz, parou por um instante e deu meia volta. Nesse momento os olhos se cruzaram, energias foram trocadas, alguma coisa aconteceu entre esses dois jovens. Ela voltou alguns passos na direção dele e, ao chegar perto, perguntou: - Em que posso te ajudar? Não conheço quase nada, sou do interior, estou aqui com a minha mãe para fazer compras. Pedro, com o olhar profundo nos olhos dela, perguntou: - Você conhece alguma terra para vender? Eu vim de bem longe e quero recomeçar a vida, distante de onde nasci. - Primeiro: quem é você? Não te conheço, e fui criada para não dar informações a estranhos, muito menos para um homem que fala muito mal a língua portuguesa e usa cabelo igual ao de mulher... – acrescentou, com sorriso nos lábios. - Mas você também não fala bem o português, arrasta as palavras, mesmo assim gostei da tua voz. Eu me chamo Pedro Ionovak e vim da Iugoslávia. Fugi do comunismo e do ditador Tito. Deixei os meus pais lá, e quando eu comprar uma terra boa, pretendo trazê-los para morar comigo. - Eu sou Letícia, filha de alemães de Pomerode, que vieram para o Brasil quando eu era criança. Eles fugiram da guerra e hoje vivem da agricultura. Parece que somos filhos das guerras e dos sistemas que violentam os seres humanos. Na medida em que a conversa ia acontecendo, os jovens, em momento algum, tiraram os olhos um do outro. Uma química forte e profunda os uniu. Ele, moreno, com os olhos pretos, e ela, de pele branca e olhos verdes, pessoas diferentes, de regiões distantes, mas com algo estranho que fazia com que os seus destinos jamais os separassem. O coração do cigano Pedro batia como nunca bateu em toda a sua existência. Letícia, arrastando as palavras, tentava se controlar. Era preciso segurar a emoção, mas com toda a certeza alguma coisa mudou depois que o conheceu. Como o sol estava forte, Pedro convidou Letícia para conversarem na sombra, mais precisamente embaixo de uma figueira, perto de uma grande praça. Mais tranquilos, eles reiniciaram as indagações. - Que tipo de terra você pretende comprar? –voltou a perguntar Letícia. - Eu pretendo adquirir um local perto do mar, onde eu possa todos os dias acordar e adormecer admirando as ondas baterem na praia. Ou, quem sabe, um rochedo, onde as ondas brigam todos os dias com as pedras... - Humm... Você é romântico. Olha, não tenho certeza, mas eu acho que o meu tio pretende vender uma parte de suas terras, que fica no Pontal do Grande Rochedo, numa cidadezinha do Sul do Estado. É parecida com as descrições que você fez de forma linda e romântica. - Como posso fazer para conversar com o teu tio? Eu posso ir com você? - Não é possível. Eu estou com a minha mãe, mas chegando lá eu converso com ele. Você pode aguardar por aqui. As coisas aconteceram e os negócios foram concretizados em quinze dias. Pedro, o cigano, foi morar na ponta do grande rochedo. Era exatamente como ele sempre sonhou. Dali era possível admirar o mar, o grande lago solitário, e muitas vezes, perigoso. Com o resto das economias que trouxe, ele comprou algumas dúzias de canela preta e construiu a sua casa. Era simples, com um quarto, sala, cozinha e banheiro. Parecida com a casa feita na Iugoslávia, mais ou menos dentro do padrão das vilas dos ciganos. Enquanto era construída a casinha, Pedro e Letícia trocavam cartas, porque a saudade era grande. Todo final de semana, Letícia ia aos correios da cidade de Pomerode, para ver se tinha alguma carta. Nunca perdia a viagem, sempre tinha uma cartinha para ela. Da mesma forma, Pedro nunca perdia a viagem, quando se deslocava às sextas-feiras até a cidade de Laguna. O inverno estava chegando e já fazia seis meses desde o último encontro. O mar estava violento e o vento brigava, com raiva das pedras. O jovem cigano recebeu uma carta de Letícia, que revelava que seus pais tinham sido assassinados e que ela tinha tomado uma decisão. Estava vendendo tudo e estava de malas prontas para viver com ele. Pedro ficou engasgado e ao mesmo tempo emocionado. Não sabia se saía correndo pelas ruas, gritando de alegria, ou se pegava o primeiro ônibus para se encontrar com a sua amada. Logo que a noite começou a desaparecer, bem cedinho, Pedro embarcou para Pomerode. A viagem levaria dois dias e duas noites, mas não importava. O importante é que estava indo ao encontro da sua loirinha, a mulher dos seus sonhos, menina dos olhos verdes, pele branquinha, pequena em tudo, mas com um grande coração, que era todo seu. Letícia, por sua vez, não queria esperar mais a resposta de Pedro. Iria ao seu encontro, porque sabia que o amor entre eles era forte o suficiente para suportar todas as tempestades da vida. E, para sua surpresa, Pedro desembarcou... Novamente os olhos dos dois conversaram longamente. Trocaram palavras através das emoções e dos corações. As almas dialogaram por muito tempo. Lentamente, deram alguns passos em direção um do outro. - Letícia, desculpa, mas eu não iria esperar por muito tempo. Resolvi vir buscar você, para vivermos juntos e juntos envelhecermos, como fazem os casais ciganos na minha terra natal. Eu acho que nós já esperamos muito. Preciso do teu amor e preciso que você seja a mãe dos meus filhos. Prometo que serei como o meu pai foi, fiel para com a minha mãe até o fim da vida dela. Nós, ciganos da Iugoslávia, somos fiéis, sempre. Letícia não sabia se falava ou se corria para os braços de Pedro. Não teve dúvida, correu e abraçou longamente o seu amado. Era o reencontro de duas almas peregrinas. Cruzaram os oceanos e enfrentaram todas as vicissitudes para recomeçar algo que ficou nos desfiladeiros do passado. - Pedro, eu também não iria esperar, já comprei a passagem. Só falta você comprar a passagem de volta para a nossa casa. Eu já sabia que as terras do Pontal do Grande Rochedo era onde eu iria morar. Desde criança, quando os meus pais me levaram para conhecer o meu tio Túlio, senti pela primeira vez que ali, perto do mar, na ponta, no grande rochedo, eu iria viver com o homem da minha vida. Durante muito tempo, nos dias que se passaram, nas longas noites, nos sonhos de menina moça, eu via você, vindo ao meu encontro. Moreno, alto, de olhos pretos, cabelos longos e amarrados. Sempre sorrindo, com dentes grandes e brancos, parecendo lobo do deserto. Eu acordava, corria para contar para a minha avó, Matilde, que aos seus 90 anos, acreditava nas minhas palavras. Nunca esqueço o que ela me disse: “Letícia, tem amor que atravessa a morte... passa através dos sonhos, e vem viver novamente.” No início eu não entendi bem, mas aos poucos, compreendi o significado das palavras ditas. Hoje, ela deve estar confortando os meus pais, e quem sabe um dia, ela venha nos visitar na casinha que você construiu para nós morarmos. - Minha Letícia, minha paixão, eu não compreendo bem estas tuas palavras, de vidas e de mortes, mas têm sentido. Como disse para você na primeira vez que nos encontramos, sempre imaginei o local onde estou morando, mas sabia que era longe da minha terra, em algum lugar distante dali. Lembro que, certo dia, o meu primo, Fernando, que hoje é oficial do ditador Tito, disse-me que era a última vez que estávamos nos vendo, porque tinha sonhado que eu iria fugir e morar num lugar distante e que iria encontrar a mulher da minha vida. Não dei muita atenção às suas palavras, não estava gostando mais dele, porque era capacho do Tito. O momento foi de pura emoção transcendental. Tanto Pedro como Letícia estavam radiantes, estavam iniciando uma nova vida, os seus sonhos estavam se concretizando. Sentaram-se no último banco do velho ônibus que, aos poucos, foi em direção a sua futura morada, no Pontal do Grande Rochedo. A estrada era repleta de buracos, mas entre um solavanco e outro, eles tiveram tempo suficiente para namorar e criar uma fina sintonia amorosa. O inverno já se fazia presente no Sul e era preciso comprar roupas apropriadas, assim como cobertores e lençóis e uma cama de casal. Era uma quarta-feira de um lindo dia quando Letícia disse para Pedro: - Pedro, nós precisamos plantar feijão, milho, frutas, criar galinha e porcos para o nosso sustento. Nós não podemos viver das economias da venda das terras dos meus pais. Quem sabe para o ano que vem possamos vender a nossa pequena safra na vila em troca de farinha, banha e outras coisas necessárias para nós. - É verdade, minha querida. Eu já estava ficando preocupado. Amanhã bem cedo vamos até a vila para comprar as sementes, mudas de árvores frutíferas e ferramentas. Mas já vou avisando, não sou tão bom na agricultura, ou melhor, nunca plantei nada. Lá na minha terra, a única coisa que aprendi era fabricar tacho e panela de cobre. O meu pai me ensinou a fabricar e sair no final do mês para vender na cidade. Depois a gente passava na feira e comprava os mantimentos necessários. – revelou Pedro, surpreso com a desenvoltura da sua companheira, mesmo novinha e já preocupada com o dia-a-dia da vida de um casal. - Não se preocupe, meu querido! Eu aprendi a manejar uma enxada, preparar horta e plantar as árvores frutíferas. Precisamos saber que tipo de fruta a terra aqui do Sul aceita para plantar. No dia seguinte, Pedro e Letícia saíram em direção à vila para fazer as compras. Alegres e sorridentes eles caminharam pela estradinha de areia que circundava a praia. Não era muito longe do Pontal do Grande Rochedo. Laguna, com suas casinhas coloniais tinha um clima sereno e aroma de um local bucólico, banhado pelo mar e com pessoas voltadas para a pesca. A vida de Pedro e Letícia transcorreu como as águas de um rio caudaloso, forte em passar pelos obstáculos e sereno sempre em direção de um fim incerto. Eles transformaram as terras num imenso pomar, com árvores frutíferas de todas as espécies e uma roça onde milho, feijão, mandioca, nunca faltou. Durante dez anos viveram em paz, mas uma coisa preocupava muito o casal. Letícia não conseguia engravidar. Conversou com várias pessoas da vila e todas diziam que às vezes a gravidez não acontece na vida de uma mulher. Pedro andava triste, queria ter filhos, se sentia sozinho, distante da sua terra natal. Seus pais dele não podiam sair da Iugoslávia porque o ditador Tito não deixava os iugoslavos viajar para outros países. O sistema comunista proibia as pessoas de saírem do país. Letícia, da mesma forma, estava se sentindo uma meia mulher, não tinha condições de dar os filhos que seu amado tanto queria. O tempo não estava favorecendo a intensão do casal. As coisas começaram a não ficar bem e Letícia, com o coração entristecido, falou para Pedro: - Querido, tenho uma ideia. Quem sabe a gente volta para a terra dos nossos avós. Vamos deixar tudo aqui. Vamos atravessar o mar e ir ao encontro da minha Alemanha e você da tua Iugoslávia. Sinto que precisamos cumprir essa missão, atravessar o oceano num pequeno barco, ir ao encontro das nossas raízes. Aqui, não somos felizes, não consegui dar o que sempre sonhamos: os filhos que todo casal almeja. Eu sempre tive a intuição que no final de tudo, iríamos fazer uma grande viagem sem volta. Muitas vezes os recados chegam, dizem coisas e nós, orgulhosos, não aceitamos o que tem para nós. - Minha amada Letícia, você captou o meu pensamento. Vamos deixar que o tempo e a solidão tomem conta desse local. Não temos inimigos e sim amigos que moram na vila e irão sentir saudades de nós. Às vezes o destino tem o seu projeto para os seres humanos. Vamos sair do Pontal do Grande Rochedo, junto com a sétima onda que bate nas pedras. Eu acho que estamos sendo esperados, não sei por quem, mas está na hora da nossa partida. Quero viver com você para sempre, quem sabe, como você sempre diz: “a nossa morada não é aqui..” - Meu amado Pedro, eu sei que jamais iremos nos separar. Você me ama e eu amo você... Outra coisa, não somos donos de nada. Na morte não vamos levar a riqueza e sim o que fizemos de bom e de errado. Somos duas almas livres para voar em direção aos nossos sentimentos e compromissos. – acrescentou Letícia, com o pensamento voltado para o horizonte. Pedro e Letícia foram até a vila, compraram um pequeno barco dos pescadores e não disseram nada, apenas conversaram com todos e com olhar misterioso, de despedida, saíram navegando pelo imenso oceano. Sentados numa poltrona do barco, deixaram que a brisa da noite os levasse para o encontro final de suas existências. Felizes, carinhosos, parecendo aves voando na direção do ninho eterno, Pedro e Letícia, sem raiva nem rancor, desprendidos dos bens materiais, estavam à mercê das energias que criaram o mundo. Eles estavam sendo chamados para ajudar outras almas que necessitavam de suas lições e práticas de vida. Era lua cheia e o céu estava estrelado. Naquela noite o frio estava ameno. Em alto mar um barquinho ainda navegava entre as ondas. Numa noite mágica e repleta de luzes que o céu emanava nas águas do mar, duas almas peregrinas estavam sendo recepcionadas pelos anjos. Foram ao encontro das suas moradas, porque vieram na terra para apenas cumprir uma parte de seus imensos compromissos com o universo que comanda os destinos das almas em processo de evolução.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Rancho do Poeta

O meu rancho é simples/ Feito de madeira/ A alegria mora comigo/ Onde tudo é feito com harmonia/ Porque a desarmonia/ Não consegue entrar/ Muito menos a energia sombria/ Quando a tarde adormece/ Fico sentado na varanda/ Degustando uma fruta apanhada no pomar/ Espero que a noite chegue/ Com alegria no coração/ Para namorar a lua Que por mim está a esperar/ Rancho humilde/ Casa pequena/ Terra boa de plantar/ Riacho que corre no final do quintal/ A coruja com olhar de proteção/ Fica no portão/ Espantando com o olho grandão/ Os passarinhos/ Canários e coleirinhas/ Quando o sol nasce/ Eles vêm comer quirera/ Espalhada pelo chão/ Terra que Deus/ Concedeu para viver/ Onde vivo cuidando/ Como se fosse um cristal/ Caído do céu.../ Me alimenta com amor/ E desprendimento/ Gosto das coisas simples/ Sem luxo/ Somente alguma semente para plantar/ E alguns peixes para pescar/ Se vim para a Terra estudar/ Tenho que começar/ Pelas coisas pequenas/ Onde um dia eu possa chegar/ Num patamar/ Em que as coisas grandes/ Fiquem tão pequenas/ Que não precise ter braços/ Tão grandes para abraçar/ Rancho branco da minha vida/ Com janelas azuis/ Lago que o circunda/ Varanda que dá para enxergar/ O nascer e o pôr do sol/ Ainda se consegue ver quando a/ Lua vem namorar/ Sítio dos meus sonhos/ Local onde irei adormecer/ Quando a minha alma estiver cansada/ De tanto andar/ Pela terra prometida/ No domingo à tarde/ Dia mágico da minha existência/ Pego o violão/ Sento em frente ao portão/ Ao lado da coruja/ Toco moda de viola/ Fico ali vendo o tempo passar/ Ao som das melodias que enaltecem/ A alma e o coração/ Deixo que os habitantes do sertão/ Sentem a minha frente/ Para juntos/ Tocarmos o som da terra/ E vermos ainda os anjos sorrirem de alegria/ Porque na Terra/ Onde homens matam por qualquer coisa/ Um poeta/ Abençoado por Deus/ Canta a sua prosa/ Para dizer que a felicidade/ Que todos procuram/ Está bem perto de nós/ Ela é pequena/ Meiga e doce/ Mas profundamente eterna.../

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Tributo a Travessia da Vida

Relutei em aceitar as paixões da vida/ Confesso que sempre tentei/ Mas aos poucos o meu coração/ Concordava.../ Hoje ele está cansado de tanta emoção/ No decorrer da vida/ Muita dor ele suportou/ Muita coisa foi em vão/ Lutas perdidas/ Poucas vitórias/ História repleta de experiências/ Mas outras.../ Deixaram doces cicatrizes/ Que o tempo não vai apagar/ Também quero lembrar/ Que vou deixar que tudo caminhe/ Como um rio de águas profundas/ Ou como o destino assim desejar/ Vou deixar que as emoções tomem conta de mim/ Não sei porque.../ Mas sinto que a travessia da vida/ Está próxima para acontecer... Quero morrer grudado na/ Embriagante saudade.../ Como tributo aos grandes amores/ Vou ser passivo ao abraço/ Do último amor da minha existência/ Desculpe aos que lerem esse poema/ Mas esses sentimentos/ Fazem parte da vida de um poeta e dançarino/ Que viveu intensamente enquanto pode/ A leveza de amar e ser amado/ Que fez da paixão o seu alimento/ Para suportar a travessia da vida.../ Sinceramente quero agradecer ao Pai Eterno/ Por ter permitido a louca vida que vivi/ Porque Ele sabe das minhas necessidades/ Conhece as fraquezas que povoa a minha alma/ Como Pai.../ Tem por mim um infinito amor.../ E me protege nos momentos de perigo/ Assim aos poucos vou crescendo/ Sem no entanto/ Deixar de lado/ As minhas raízes/ E as razões de existências/ Que teimosamente vivi/ Em momentos de gloriosa/ E renhida luta/ Que a minha alma/ Derrama lágrimas/ Quando a tarde adormece.../ E a escuridão toma conta do mundo...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Eu e Você

Os bailes nunca mais foram os mesmos/ Depois da nossa separação/ Os dançarinos perderam o encanto/ Viam em nós os modelos para seus passos/ Os bailes mudaram até mesmo de cor/ A música que embalava as noites estreladas/ Deixaram de ser tocadas/ A valsa que ainda é tocada dentro do meu coração/ Deixou de ser ouvida nos grandes bailes/ Eu e você.../ Por que fomos embora?/ O que aconteceu?/ Faz muito tempo/ Que tudo mudou/ Toda vez que danço/ Imagino sempre que é com você/ Que estou bailando.../ Chego a pensar que o mundo deu dois/ Passos pra trás/ Trazendo de volta/ As eternas noites/ Quando o salão era pequeno/ Para a nossa encantada dança.../ Eu sei que vamos/ Voltar a dançar/ Talvez na imensidão do infinito/ Ao lado dos nossos anjos de guarda.../

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

As Estações da Vida

Assim como as estações/ Que vão e voltam/ A falta e a saudade/ De alguém ou de um lugar/ Batem à porta/ Às vezes não é para entrar/ Somente para dizer/ Que o sentimento ainda vive/ Apesar do tempo e da distância/ Nós somos como as estações/ Somos intensos/ Apaixonados por algo/ Escutamos vozes que nos acompanham/ Vivem ao nosso lado/ Nos levam para o lodo/ Ou para o paraíso/ Mas continuamos vivendo/ Porque viver é importante/ Aprender mais ainda/ A vida é repleta de emoções/ Tem seus cantos e melodias/ Uma vida inteira/ Corresponde as quatro estações/ Porque têm momentos coloridos/ Que nascem e morrem/ Para depois renascerem/ Outras desabrocham como as / Folhas secas de um outono/ Quando a alma fica solitária/ O frio toma conta/ Que o inverno parece ser eterno/ Somos criaturas/ Parecidas com pedras de rio/ Que quanto mais vivem/ Mais vão ficando lisas e serenas/ Bem torneadas/ Fortes e retorcidas/ Aguerridas porque atravessaram/ Todos os tormentos e tempestades/ De existências que não voltam mais.../ Nascemos para aprender lições/ Muitas vezes não passamos de ano/ Somos reprovados/ Devido a nossa arrogância e orgulho/ Vivemos um tempo como repetente/ De lições fáceis de aprender/ Ainda assim somos aproveitados/ Em algum setor da engrenagem universal/ Na fase adulta da nossa alma/ E ao olharmos para o passado/ Vamos perceber que perdemos muito tempo/ Com picuinhas e migalhas/ Que atrapalharam o nosso progresso/ Mesmo assim tivemos alguém/ Que continua acreditando em nós/ Porque também um dia foram como nós/ E esse alguém também teve quem acreditasse nele.../

domingo, 22 de dezembro de 2013

Os Fecundos Caminhos

Têm noites/ Que a minha alma vagueia/ Como brilhante vagalume/ Às vezes imagino que são sonhos/ Ou viagens que a minha alma/ Realiza para rever os insustentáveis/ Locais que um dia/ Tive a felicidade de viver.../ Imagino que a minha alma/ É igual a sonhos e eternos paraísos/ Locais de plena leveza/ Onde descanso e revejo os/ Anjos que caminham ao meu lado/ Nas tardes que os anos não trazem mais/ Quando o sol teima em não ir embora/ Fico sentado na varanda da minha casa/ Assistindo às imagens que a minha alma/ Traz para acalentar a vida/ Que recebi dos céus como dádiva/ Que devo cuidar/ Como se cuida de um cristal/ Às vezes os meus olhos choram/ Ficam perdidos no horizonte/ Nas profundezas do meu coração/ Onde é possível ver que a minha alma/ Deixou rastros de uma época/ Que teima em transcender os lagos do tempo/ Nos fortes momentos de emoção/ Não sei distinguir um belo sonho/ Onde observo os jardins do céu../ E a minha alma/ Que caminha ao lado/ Da lua cheia em noites/ Repletas de estrelas/ Que viajam pelo firmamento.../ Em pura leveza espiritual/ Na confusão desses maravilhosos instantes/ Me deixo navegar.../ Por águas serenas e cristalinas/ Onde observo peixinhos brincando/ No fundo de um rio caudaloso.../ Nesse estado de embriaguez espiritual/ Que até parece uma profunda magia/ É para mostrar que alguém muito superior/ Criou as belezas fecundas do universo/ Ouço suavemente/ Uma linda melodia/ Que aos poucos/ Acalma os últimos redutos/ Nervosos da minha alma/ Que se curva perante a grandiosidade dos céus.../ Nos lentos suspiros da minha alma/ E na imensidão do tempo/ Deixo que as cicatrizes desapareçam / Do meu caminho.../ Com o olhar/ Ao lado da felicidade/ Vou caminhando/ Sem nenhum peso na consciência/ Porque me curvei/ Pela beleza do perdão/ Porque deixei que fosse embora/ Aquilo que nunca me pertenceu/ Deixei que o ódio/ Se transformasse num grande gesto/ De generosidade/ Fiz do esquecimento uma palavra de ordem/ Limpei o meu coração dos rancores/ Que se parecem/ Como amargos licores/ Que queimam a garganta/ Depois de tudo/ Percebi que sou um lindo sonho/ E uma bela alma/ Um espírito leve/ Sem amarras/ Que não se prende a correntes.../ Como caminhante do universo/ Ajudo aqui e acolá/ Talvez um dia/ Estejamos todos lá/ Na casa da paz celestial/ Onde possamos viver fecundamente/ Com a mente livre de tudo/ (Pelo espírito: Viajante do Universo)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Casa Simples

Quando viajo pelo interior/ Ando pelas estradas empoeiradas/ Vejo casas simples/ Analiso um mundo que está desaparecendo/ Com o coração apertado/ Sou atropelado por imagens/ Do mundo moderno/ Que esmaga a simplicidade/ Do homem interiorano/ Casa de madeira/ Branca e com janelas verdes/ Ainda retrata um mundo de/ Pura magia humana/ No terreiro galinhas caminham / De um lado para o outro/ Ciscando à procura de alimento/ No fundo um riacho serve/ Para matar a sede dos animais/ Ao lado da casa simples/ Uma fonte de água pura e cristalina/ Abastece o lar do homem/ Que ainda acredita num mundo/ Onde o ser humano possa viver/ Com aquilo que o Patrão do céu/ Disponibiliza aos seus filhos.../ Ainda tem a vaquinha/ Que todos os dias ao amanhecer/ Doa leite/ Ao homem simples e de coração bom/ O porquinho é engordado/ Para a festa de final de ano/ Quando a família se reúne/ Para a chegada do Papai Noel.../ A saudade é profunda por uma época/ Que nunca mais vai voltar/ Tenho vontade de voltar/ Ao tempo de criança/ Quando não conhecia a maldade/ Que para mim/ Todos eram bons de coração/ Mas os anos foram passando/ A ingenuidade foi desaparecendo/ Entre as lágrimas de um menino/ Sem beira nem lar.../ A monstruosidade de um mundo/ Surgiu no lugar.../ De uma época que até parecia ser/ A casa dos nossos sonhos.../ Enquanto ainda existir/ Lugares que reflitam esse mundo/ Irei visitar/ Para que o meu coração/ Volte a ser criança/ Volte a ser a alma que veio ao mundo/ Para crescer/ Evoluir e fazer parte/ De uma terra onde/ Os seres humanos vivam/ Felizes na companhia de seus irmãos.../

NÃO VOU ADORMECER SEM DEGUSTAR OS MEUS SONHOS

Ninguém prende um pensamento. Ninguém aprisiona uma alma ou um coração. O amor é livre e o gostar caminha junto com a liberdade. O desejo ...