sexta-feira, 3 de agosto de 2018
DESOBEDIENTE CORAÇÃO
Apenas uma musica/Apenas uma dança/Palavras trocadas/Algo surgiu/Começou alimentar/Algo esquecido/Desaparecido/De repente/Algo tremeu/A terra se abriu/Eis que surge/A tão temida semente/No inicio descontraiu/Ao mesmo tempo assustou/Medo... /De cair/Na desesperança de um amor fracassado/Sonho aconteceu/Consentido por ambos/Numa praia deserta/Barulho do mar/Como uma serenata nos ouvidos dos amantes/Calientes abraços/Beijos e beijos/Alegria do encontro/Na escura madrugada/No desprendimento do corpo/Na viagem do coração/Através dos cosmos/Foi um sonho?/Ou uma premonição/De que algo está para acontecer/O que fazer?/Fugir correndo da tentação?/Se refugiar no medo?/Ou usar a bandeira do trauma/Para não deixar/O coração bailar com o vai e vem das ondas... /Nesse balanço da paixão/Nesse embalo do amor/Nessa valsa dos carinhos/Nesse bolero sensual/Os amantes se perdem/Ficam atordoados/Grudados!/As pernas ficam bambas/O desobediente coração clama/Não obedece o chamamento da razão/Quer por que quer/Naufragar/Desfalecer na magia das intensas caricias amorosas/Lá fora/A noite/Cúmplice dos inesperados amores/Se deita na imensidão das águas oceânicas/Na praia limpa e convidativa/Os amantes/Fazem da areia fina/Um imenso lençol branco/Onde os corpos se tocam/Se pegam/Se acariciam/Os sussurros são ouvidos pela lua e pelas estrelas/Que saúdam o nascimento de uma nova história de amor...
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
TURBULENTAS RAJADAS DE VENTO
Ontem conversei com o vento/Ele contou a sua história/Falou que me conhece há muito tempo/Desde a época em que só existia pedra no mundo/E que morávamos em casas feitas de pedras/No alto da montanha/Num tempo em que não existia cidades/Todos viviam em pequenas vilas/Incrustadas em rochedos/O vento explicou porque vim viver nesta época/Que na verdade não precisava ter vindo/Mas para conhecer as maldades deste mundo/Vim/Estou conhecendo/Mas sem nenhuma vontade de um dia retornar/Perguntei por que ele às vezes uiva como um lobo/Voa em alta velocidade/Destrói e mata/Ele disse que o culpado é o homem/Que está destruindo a natureza/Em nome do progresso//Sinalizando/Que vai chegar um dia/Em que nada vai restar/O mundo vai voltar a ser como era antes/Um monte de pedras/Com um silêncio estarrecedor/Mas com a natureza voltando a ser a dona de tudo/O vento entregou-me/Todas as palavras que um dia joguei fora/Emoções/Amores/Paixões/Tudo estava catalogado/Afirmou que tudo que pensamos/Falamos/Não desaparecem/Perambulam pelo universo/E ele sai coletando tudo/Como um colecionador de borboletas/Arquiva as palavras mais lindas/Como as mais chulas/Certo momento/Revelei que não gostava dele/Porque é muito barulhento/Respondeu que já sabia/Em seguida/Lembrou que estava junto de mim/Quando me consagrei campeão/Chegou a mudar de direção/Para me empurrar em direção da vitória/Ilustrou que por me conhecer há milênios/Não poderia deixar de me ajudar/Numa prova de extrema dificuldade/Fiquei pasmo/Não sabia se agradecia/Ou escrevia um poema em sua homenagem/Em cima de uma montanha/Olhando a planície/Ouvi do amigo vento/Uma bela canção/Em que dizia/Que as dificuldades fortes/São para os fortes/Que as dores violentas/São a ponte para o outro lado do mundo/Os amores perdidos/Tornam-se jardins/Onde lindas rosas crescem/E perfumam as vilas mais remotas/Aos poucos o vento foi se distanciando/Já não fazia mais os galhos bailarem/Nem as águas do mar ficarem agitadas/Lentamente fui descendo a montanha/Observando os passos lentos do vento/Que ia adormecendo sobre o mar...
sexta-feira, 27 de julho de 2018
AINDA VIVE
Têm coisas que não morre/Apenas vive/Às vezes fica em silencio/Outras vezes hiberna/Ou se esconde/Aguardando para se mostrar/De tão profundo que é/Por mais que queira/Teima em permanecer grudado/Luta para não morrer/Aceita o desfecho/Mas não aceita ser arrancado/É uma raiz que penetrou as entranhas do coração/Fica ali/Como uma flor imortal/Em alguns momentos/Para ser notado/Expele suave perfume/Sabe que foi sentido/Mas também sabe/Que nada vai mudar/Num triste monólogo/Conversa com as paragens/Que foram fundamentais /Na germinação da semente/Como uma flor do deserto/Deixa-se tostar pelo forte sol/Mas quando chega a noite/Deleita-se com o frio intenso/Que se abate/Nas areias finas/Agora frias/Faz da sofreguidão/O alimento para se manter vivo/E fugir da morte/Nessa luta intensa/O amor nas suas mais variadas vertentes/Continua sobrevivendo/Na luta contra o não/Contra o mal/Contra as adversidades/E contra os preconceitos dessa infeliz humanidade.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
NO ACONCHEGO DAS ALMAS
Na silenciosa noite/Escura e melancólica/Procuro as estradas/Tomadas pelas ervas daninhas/Tento encontrar os passos/Dos amores que deixei no calor/Das noites quentes de verão/Nunca fechei porta/Nem as janelas da minha alma/Em algum dia fechei/Nas intermináveis estradas que percorri/Sempre construí uma bela paixão/Que devido/A minha alma nômade/Deixei plantada a semente do amor/Que acredito/Muitas germinaram/Outras desfaleceram por falta de regar/Ou por saudade/Ou quem sabe/Preferem o silencio/Quando a noite domina o infinito/Mostrando as estrelas alegres/Olho para o céu/Tento encontrar a estrela mais cintilante/Capto a energia do universo/Converso com os astros e interajo com eles/Troco informações sobre as almas apaixonadas/Que perambulam pelos mundos afora/Sentado numa pedra/Ao lado de um pequeno riacho/Continuo a vagar/Deixo o pensamento navegar/Sem amarras/Me sinto um pássaro noturno/Voando em todos os cantos/Que um dia entreguei o meu coração/Como não somos donos de ninguém/Apenas depositários de amores fortuitos/Continuamos pintando quadros/Com as mais belas mulheres/Que também/Experimentam os momentos meigos e sensuais/Assim vamos trocando os passos/Degustando cada sentimento/Que servem para nos fortalecer na infinita caminhada pela terra/Já no final da noite/Quando o frio da madrugada penetra o coração/Recolho as impressões/Me entrego ao sono/Ao sonho de um vivente/Crente de que apenas somos pequenos viajantes/Visitantes de um lugarejo/De uma comunidade/Que logo/Muito logo/Voltaremos ao aconchego da nossa casa/Onde vamos colocar os olhos/Nas almas que verdadeiramente/São os nossos eternos amores...
segunda-feira, 23 de julho de 2018
A VIDA É FEITA DO PASSADO
Aqui vai uma homenagem aos sentimentos que ainda vivem dentro do meu coração/Quem não tem esses sentimentos? Todos tem/E as vezes somos obrigados a render tributos/As pessoas que passaram em nossas vidas/Quem não tem passado/Não tem memória/Não tem história/Não se pode vive só do presente/Foi no passado/Que se tirou as melhores lições de vida/Recebo algumas criticas/Sobre a importância de se falar do passado/Respondo sempre/Que a estrada do presente/Se iniciou lá no passado/Nenhum país/Nenhuma pessoa pode desprezar o passado/É de lá/Que veio a experiência/A forma correta de continuar caminhando/
sexta-feira, 13 de julho de 2018
EMBRIAGANTE MOMENTO
Ontem estive naquele local/Esperei por você/Mas no fundo/Eu sabia que você não viria/Foi só uma forma de relembrar dos nossos encontros/De repente senti um suave aroma/Que acariciou o meu rosto/Junto com esse meigo toque/Senti o teu perfume/No alto/Um pássaro sobrevoava em direção do norte/Joguei um beijo/Pedi a ele/Que fosse o portador de um beijo/No teu rosto/O pássaro deu meia volta/E veio em minha direção/Pousou num galho de uma árvore/ Bem perto de mim/E ali/Cantou uma linda canção/A nossa canção... /Depois/Como se estivesse se despedindo/Levantou voou/E seguiu viagem/Permaneci ainda por um longo tempo/A noite estava se aproximando/Quando subi uma estrada/Que no verão passado/Tínhamos feito esse trajeto de mãos dadas/Sentei numa pedra que dava para visualizar a imensa planície/Com plantação de girassol/Ali permaneci/Conversando com os pirilampos e cigarras/Que bailavam numa alegria contagiante/A minha alma/O meu coração/Estavam satisfeitos/Pela magia/Pela embriagante paz/Que o momento/Estava proporcionando/Tem momentos na que deveriam se eternizar/De tão belos/Que chegam a ser uma ponte/Para o outro lado da vida.
domingo, 1 de julho de 2018
OS CHICOTES DA VIDA
Nasci na costa do Rio Uruguai/Na cidade de Nonoai/Rio Grande do Sul/Mas registrado em Chapecó/Comecei os meus dias/Comendo peixe frito/Polenta com leite/Carne de porco com mandioca/Na beira de rio/E andando pela terra vermelha/Acompanhado pelos amparadores do universo/Enfrentei todas as tempestades possíveis/De pé descalço/Ou quando muito/Usava uma velha alpargata/Doada por uma tia/Que mais parecia ser minha mãe/Que nunca tive/Saía bem cedo/Para vender pé-de-moleque e doce-de-leite/Nas ruas empoeiradas da minha terra/Para ajudar nas despesas da casa/Muitas vezes com frio e fome/Chorava/Porque tinha medo de chegar à casa/Isso porque muitas vezes/Era espancado com vara de marmelo/De uma Senhora que se dizia/Minha avó/Que na verdade foi o carrasco da minha infância/Que me privou de conhecer e conviver com o meu pai/Se chegasse com a sexta cheia/Tinha que vender tudo/De qualquer jeito/Minha infância/Foi violenta/Nunca relatei o que estou relatando/Faço desses versos/Uma porta aberta das minhas angústias/De que viver/É apanhar da vida/Não de pessoas estranhas/Muitas vezes da própria família/Foi nesse meio social oprimido/Que cresci/Repleto de cicatrizes/Marcas na alma/Cortes profundos no coração/Reflexos de uma infância violentada/Como guanxuma nunca quebrei/Me dobrei com o ataque dos inimigos/Sem conhecer o que era brincar/Nunca fui tratado como criança/E sim como homem/Que precisava trabalhar/Era cobrado pela falta de alimento/Dormia no chão batido/Acumulei muitas revoltas/Erros/Que foram responsáveis pelas desesperanças/Dos equívocos da caminhada/Hoje quando o sol da existência/Caminha para o final da tarde/Não me resta outra alternativa/A não ser/Mudar/Procurar o canto da alegria que nunca existiu/Dentro do meu coração/Esquecer os carrascos da infância/Olhar com olhos de águia/Afiar as garras/Voar bem alto/Sozinho/Sem ninguém por perto/Para ditar o tamanho dos passos/Prefiro morrer na solidão de um caixão/Do que ser policiado/Por um mundo/Que nunca me valorizou/Foi assim que o Pai do céu/Escreveu o meu destino/Talvez por saber que poderia suportar/Ficar distante de pessoas/Que querem chicotear os restantes dias da vida/Correndo maratonas/Aqui e acolá/Vou pintando de branco/As partes escuras da alma/E costurando os cortes/Do meu coração/Fazer das lágrimas/Canção que acalente os meus últimos dias/As minhas noites/E os sonhos de um vivente/Que viveu uivando/Como lobo das noites sem lua...
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NÃO VOU ADORMECER SEM DEGUSTAR OS MEUS SONHOS
Ninguém prende um pensamento. Ninguém aprisiona uma alma ou um coração. O amor é livre e o gostar caminha junto com a liberdade. O desejo ...
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Vou seguir o teu perfume/Perfume que me enfeitiçou/Seguirei o teu aroma/aroma dos campos, montanhas, mares, rios e planícies/Vou seguir ...
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Ninguém prende um pensamento. Ninguém aprisiona uma alma ou um coração. O amor é livre e o gostar caminha junto com a liberdade. O desejo ...
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Despontava a madrugada/A lua clareava a sombra nos recantos da Terra/Quando fui levado para conversar/Sentei num ba...