sexta-feira, 30 de agosto de 2019
AS CINZAS JAMAIS SE APAGARÃO
Tem dias que o pensamento volta ao inicio da estrada e descansa na rede da alma. Andei e desandei por todos os aposentos dos mais variados corações. Conheci as mais variadas paixões e os mais profundos amores. Naveguei pelos mais diversos romances em épocas remotas e tortas do caminho. Sempre fui muito bem amado pelas mais belas mulheres que tive a oportunidade de conhecer. Tenho a certeza que ainda vivo nos aposentos secretos das mesmas... Porque fui um andarilho amoroso que soube valorizar o coração de uma mulher. Fui intenso enquanto perdurou a paixão. Travei diversas conversas nas esquinas da vida. Fui um boêmio fervoroso. Dancei em infindáveis salões de baile. No exílio existencial conheci o meu primeiro grande amor. Que foi embora prematuramente. Briguei com a ditadura militar. Que não durou para sempre. Sempre tive um estilo de vida que se distancia da violência. Sou da paz e do bem. Somente eu sei quantos desertos atravessei ao longo da minha vida. Somente eu sei o quanto foi difícil atravessar os mares de vários continentes da terra. Conheci vários povos e vilas que me deram grande conhecimento humano. Não posso negar jamais, e muito menos deixar de confessar que vivi e vivo, uma grande vida. Apanhei nas encruzilhadas, em armadilhas feitas pelos meus inimigos. Fui e sou um vitorioso nos mais diversos assuntos da jornada terrena. Sempre acreditei que um dia iria parar. Sempre acreditei que a guerra teria um fim. Hoje sou poeta e maratonista que corre por todos os lugares. Como guerreiro e soldado, sempre acreditei que iria subir no pódio. Tenho dezenas de medalhas e troféus erguidos nas paredes da minha morada. No momento vivo um grande amor que acaricia o meu sofrido coração. Ela é o conjunto e a somatória dos amores que deixei pelo caminho. Por isso entreguei o meu coração para que ela cuide bem. Espero que seja o ultimo amor da minha vida. Porque tudo tem um tempo e um ciclo que se inicia e termina. Nesse sentido o meu coração está repleto de imagens mágicas que jamais irão desaparecer. Porque nem o tempo será capaz de apagar o calor da emoção que vivi na minha vida. As cinzas ainda estão e estarão quentes para sempre...
sábado, 27 de abril de 2019
QUANDO EU TE CONHECI
No silencio de uma tarde de outono, num dia nublado, sinto o teu chamado e profunda saudade de você. Você quer me ver, sente também a minha falta e clama pelos meus ardentes beijos. Eu também necessito dos teus carinhos e da tua pessoa. Eu sei que o teu corpo me satisfaz. De todas as mulheres que já passaram pela minha vida, você tem algo que me aproxima demais. A forma de amar, de beijar e de fazer amor, criou raiz na minha vida e no meu coração. Quando te conheci, não sabia que a nossa historia seria tão longa e definitiva. Nem percebi que iria escrever algumas linhas tortas, feias, tristes, mas com destino certo e necessário para concretar de vez o nosso amor. Quando te conheci, pensei que você seria mais uma na vida de um seresteiro que nunca fixou residência em nenhum coração. Das idas e vindas, eu vi que a cada dia, que passamos juntos, as raízes do amor foi se aprofundando no fundo da alma e do coração. Quando te conheci não percebi que você conhecia de forma tão clara os aposentos do meu coração. Isso porque você foi entrando devagarzinho, abrindo todas as portas como se por ali já tivesse passado em algum momento do tempo. Incrível como você soube abrir as portas e janelas do meu ser. Depois de todo esse tempo, continuamos batendo o ponto da paixão, quando sentimos saudade, ficamos angustiados e desejos para termos longos momentos de amor. Quando te conheci nunca pensei que hoje estaríamos aqui para esse reencontro maravilhoso e falar dos momentos que acalentaram o nosso romance. Quando eu te conheci não tinha idéia da mulher que você é, muito menos que iria me amar tanto assim e ser desesperadamente apaixonada por mim. Quando eu te conheci não sabia que nós iríamos ficar para sempre e envelhecer juntos. Hoje eu me vejo ao teu lado, como se nunca estivesse distante, apenas adormecido dentro do teu coração. Esperando o momento para abrir a porta e deixar você entrar.
terça-feira, 23 de abril de 2019
PACTO DE SANGUE
Eu estava apreciando a noite. Deixando os pensamentos serem levados Por uma suave brisa. De repente ouço lentos passos se aproximarem de mim. Discretamente você me abraça, com um sensual beijo na boca. Imensa saudade dos teus lábios é aos poucos suavizada. Silencio falando e mostrando tudo. Parece que foi ontem que você foi embora. Saiu para nunca mais voltar. Bateu a porta com força, saindo como uma louca sem destino. Agora entra na minha casa sem dizer nada. Simplesmente entra. Não resisto e permito que tudo volte como era antes da tua partida. Pergunto: por que você foi embora? Chorei muito a tua partida. Estávamos tão bem. De repente uma tempestade se abateu em cima de nós. Você terminou tudo. Pedi aos céus que te matasse. Que você morresse. Agora é você quem chora. É você que implora o meu amor que um dia disse que não valia nada. Grudada nos meus braços pede perdão. De joelho pede uma segunda chance. Diz que não consegue viver sem o meu amor. Lá fora a noite ouve os teus soluços e os pedidos de perdão. As estrelas torcem pela nossa volta e a lua acredita que ainda iremos continuar vivendo uma grande historia de amor. Pego você pela mão e levo para caminhar. Sentamos embaixo de uma grande árvore. Local que um dia fizemos amor pela primeira vez. Como uma criança desamparada aperta forte a minha mão, temendo que eu fuja. Enquanto a coruja voa de um lado para outro, você revela os motivos da decisão de ter ido embora. Ouço sem falar nada. Lágrimas correm do teu lindo rosto. Aos poucos vou cedendo. Porque sempre acreditei que o nosso amor era mais forte que qualquer tempestade. Você pega um espinho. Fura o meu dedo e o teu. Ali embaixo da grande árvore fizemos o pacto do amor eterno. Misturamos os nossos sangues e as nossas almas. Quando a madrugada chega estamos fazendo amor na mesma cama que um dia foi tua e que agora será para sempre.
terça-feira, 12 de março de 2019
MEU CORAÇÃO NÃO É UM PÁSSARO
O meu coração não é um pássaro, mas voa na direção da paixão. Quando o sol nasce, ele vai estar bem perto do amor. Quando o sol se por, ele vai adormecer junto da paixão, sem que ninguém perceba. O meu coração vai partir, quando a paixão esperar. Ele estará seguindo os passos do amor. Mesmo que o amor não queira mais, ele continuará pulsando por viver um grande amor. O meu coração não é um pássaro, porque não sabe voar. Ele sabe imaginar e com sua imaginação, se deslocará por todos os cantos que a alma desejar. O meu coração não tem asas, mas tem dentro dele, inúmeros aposentos que guardam os maiores sentimentos que se possa ter. O meu coração é igual a um rio, navega em direção da paixão. Têm dias que ele está calmo e em outros está ruidoso, com imensa saudade de ser acariciado pelas mãos da paixão. O meu coração é caminhante, nunca cansa, sonha, em ser amado, de forma irrestrita. Em cada passo, constrói um jardim para que um dia o amor que encontrar, possa sentir o aroma das flores mais belas. E ao degustar os mais variados perfumes, vai adormecer sonhando com os melhores momentos que vivemos em épocas que jamais voltarão. O meu coração já apanhou do amor várias vezes. Perdeu várias paixões. Chorou na esquina, esperando pela volta da mulher amada. Adormeceu sonhando em ter nos braços aquela que um dia jurou amor eterno. Mas não desistiu de pousar numa praia, onde possa ser abraçado pelas ondas do mar...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
AMANTE DE UMA MORTA
AMANTE DE UMA MORTA
O sereno da madrugada beijava as nossas faces. Um leve vento frio bailava sobre nós. Tínhamos saído de um baile, onde dançamos muito. Ainda faltava algo especial, que iria nos fazer felizes por um momento. Caminhávamos pela Rua Conselheiro Mafra, sem nenhuma vontade de ir dormir, mas sim, nos entregarmos amorosamente. Em cada esquina fazíamos uma parada, para degustarmos longos beijos. Ela usava um vestido preto, transparente, mostrando profundo desejo de ser amada do jeito selvagem, diferente e longe de uma cama. Sempre foi assim, desde o nosso primeiro encontro, ela procurava lugares públicos para fazer amor, de preferência, antes do dia clarear. Eu conhecia muito bem os desejos daquela mulher, fazia dela o que bem queria, em troca, recebia ardentes beijos, abraços e palavras sussurradas de elogio no ouvido.
Tudo estava quieto e ninguém se fazia presente. Os bares estavam fechando. As prostitutas estavam prestando conta aos gigolôs. Sem dizer nada, ela me pegou pela mão, levou-me para um casarão antigo, onde a luz da lua penetrava levemente nos aposentos rodeados por teias de aranha. Peguei-a pela cintura, encostei-a na parede, sem nenhuma cerimônia, fiz tudo que o momento exigia. Ela, entre gemidos e pequenos gritos de prazer, foi declarando que eu era o homem de sua vida. Cada palavra dita por ela era um carinho que recebia, de forma selvagem. Estávamos exaustos de tanto sexo, sentada no chão, sem calcinha, fez uma revelação, que mexeu profundamente comigo...
- Pedro, vou contar-lhe uma coisa que talvez te deixe estarrecido. Eu moro aqui neste casarão há mais de 200 anos. Você não percebeu ainda que nós nunca nos encontremos durante o dia, e, que eu sempre fico por último aqui? Estamos nos encontrando todos os domingos há mais de cinco anos e você nunca se interessou em saber quem sou eu. Nunca quis saber onde moro e quem são os meus pais. Pois escute a minha história: se você realmente me ama, como afirma, vai continuar me encontrando no baile e, depois, a gente vem terminar a nossa noite.
A revelação de Leila foi estrondosa. Sem palavras concordei em ouvir a história dela. Enquanto ela ia falando, eu ia levantando as calças, tentando encontrar uma saída. Leila estava praticamente nua, ainda suada, molhada sensualmente, fez a revelação:
- Há 200 anos, eu morava com os meus pais neste casarão. Meu pai era militar e, minha mãe, do lar. Como única filha, tinha todos os cuidados que uma moça da época exigia. Linda e desejada pelos homens da antiga Desterro, não faltava quem quisesse me pedir em casamento, mas eu não queria ser mulher de um homem só, os meus desejos iam muito além do que se praticava naquele tempo. Certa noite, num domingo de um verão do ano de 1821, eu saí a caminhar pela rua, pois estava quente demais. Acabei encontrando um homem bem vestido e muito bonito. Iniciamos um romance que durou dois anos. Desde àquela época eu só gostava de fazer amor de pé, encostada na parede ou de quatro, no chão empoeirado de um lugar ermo. Ele satisfazia todos os meus caprichos de mulher fogosa. Num domingo, quando estávamos fazendo as nossas aventuras amorosas, fomos surpreendidos por dois homens violentos. Eles mataram o meu namorado com duas facadas no peito. Depois de me estuprarem de todas as formas, e por muito tempo. Em seguida enfiaram um punhal no meu coração. Eles fizeram isso porque eu os conhecia, eram filhos do Governador da época. Para esconder o meu corpo, fizeram um buraco no mesmo local do crime. O mais incrível é que eu os presenciei enterrando o meu corpo. Fiquei por ali por um longo tempo, para tentar encontrar explicação do que acontecera. Em seguida, fui para casa. Os meus pais estavam aflitos à minha procura. Eu tentava falar com eles e não conseguia me fazer presente. Depois de alguns anos, eles morreram de desgosto e de saudade de mim. Eu vim morar aqui, como alma do outro mundo. Muitas famílias habitaram este local, mas não por muito tempo, porque eu me fazia presente e as pessoas acabavam indo embora com medo. Essa é a minha vida Pedro. Você quer continuar sendo o meu homem, namorando uma morta, um fantasma?
Não disse nada para Leila. Levantei-a, encostei novamente na parede, com o rosto virado para a parede, e fiz o que ela mais gostava na arte de fazer amor...
Enquanto vivi na terra, todos os domingos eu me arrumava e ia me encontrar com a minha fantasma, a minha namorada do além...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
LA PASSION DURE PEU D’AMOUR DURE ÉTERNELLEMENT
No último intenso treino/O meu pensar/Recaiu sobre o que é paixão/A paixão é avassaladora/Ardente/Forte/Como uma selvagem cachoeira/Derruba qualquer barreira/Mas infelizmente/Ou felizmente/Dura pouco/Acaba/Termina/Porque não suporta a mais pequena adversidade/A paixão vive de emoção/E a emoção tem um tempo para durar/É igual uma brasa/Chega a queimar/Depois vira cinza/Que no primeiro vento evapora para sempre/Agora o amor!/Esse dura para sempre/Atravessa a linha do tempo/Suporta traição/Suporta um monte de não/Suporta o desprezo/O amor não é avassalador/Mas é igual a flor do deserto/Não morre/Nunca perde a beleza/O perfume/O encanto/Já a paixão/Vive do momento/Desde que seja bom/Mas na primeira briga/Sai correndo pela janela/Agora o amor e teimoso/É profundo/Vive sem água/Sem adubo/Ele é simplesmente amor/Se abastece das pequenas coisas/Dos pequenos gestos/Depois de muito pensar/Cheguei a conclusão/Tive muitas paixões/Duraram uma estação/As vezes um verão/Outras vezes um inverno/Uma primavera/Algumas no outono/Muitas nem isso/Por outro lado/Não posso negar/Ou esquecer/Posso contar nos dedos/Tive dois ou três grandes amores/Um vive na terra/Os outros dois vivem no além/Hoje estou sozinho/Em paz comigo mesmo/Contente com o meu momento/Confesso que vive grandes paixões/Grandes momentos/Que estão na prateleira do tempo/No final do treino/Fiquei feliz/Porque aquelas que juraram amor eterno/Foi dito no calor da paixão/Hoje são apenas visões do passado/Que não mexem mais com o meu coração/Agora aquelas poucas que me amaram/E eu as amei/Vivem em paz/Dentro do meu coração/Como flores centenárias do deserto mais árido do mundo/Esbanjando calor/Carinho/Saudade/Desejo/E com imensa vontade de reencontrar.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
AVISE AQUELA MOÇA
Avise aquela moça/De olhos verdes/Que me fizeram estremecer/Quando dancei com ela/Olhos verdes do meu coração/A paixão que foi embora/Sem nenhum motivo/Que o meu coração ainda bate forte/Que esteja no baile/Quando vamos matar todas as saudades/Para dançarmos todas as marcas/Até a noite ir embora/E o sol clarear/Avise aquela moça/A loirinha do baile/Que há muito tempo/Ainda penso nela/Moça de olhos verdes/A mais bonita dos bailes/A mais sensual/A dançarina que sabe remexer/Que não adianta/Pedir desculpa/Porque se não for/A culpa será dela/Se um dia eu desaparecer/É o último aviso/Avise aquela moça/De corpo perfeito/Que sou o homem perfeito para ela/Que quanto mais ela sair a procurar amores fortuitos/Mais distante vou ficar dela/Avise aquela dançarina/Que sou o dançarino preferido pra ela/Que não adianta fugir/Dançando com os outros/Tentando escapar dos meus braços/Porque tenho o abraço fatal/Sou exatamente o que ela precisa/Para acalmar a ânsia dela de amar/Avise aquela moça/Que hoje vou dançar/Onde os dançarinos se encontram/Quero que ela esteja pronta/Para ser levada/Para dentro do salão/Onde vamos trocar os passos/Da valsa ao bolero/Avise aquela moça/Que não vou ter hora para ir embora/Só vou dormir/Se for nos braços dela...
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NÃO VOU ADORMECER SEM DEGUSTAR OS MEUS SONHOS
Ninguém prende um pensamento. Ninguém aprisiona uma alma ou um coração. O amor é livre e o gostar caminha junto com a liberdade. O desejo ...
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Vou seguir o teu perfume/Perfume que me enfeitiçou/Seguirei o teu aroma/aroma dos campos, montanhas, mares, rios e planícies/Vou seguir ...
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Ninguém prende um pensamento. Ninguém aprisiona uma alma ou um coração. O amor é livre e o gostar caminha junto com a liberdade. O desejo ...
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