sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
A Voz do Poeta
É hora de seguir a voz do meu canto...Acompanhar o grito da liberdade...Olhar e caminhar com a sombra dos passos de bravos desbravadores...Deixar de lado o presente...Avançar rumo a outros cantos...Esquecer o recanto que aprisiona a alma deste poeta...Tem momento na vida que é necessário derrubar barreiras e construir outras estradas...Os poetas são seres especiais que precisam alegrar constantemente o coração...Vivo da dança...Das corridas...E dos poemas...Que juntos...Formam a energia que preciso para viver a presente existência...Nada tenho contra o passado...Até porque passou...Sinto profunda necessidade de mudar certos caminhos...Hoje...As vezes me vejo chorando...As minhas lágrimas são solitárias...O coração aperta...Tenho vontade de rever a minha terra...Sentar na esquina e conversar com o silencio que maltrata a minha alma...Quero questionar os responsáveis pela minha construção que virou uma grande desconstrução...Talvez tenha sido bom demais...Ou quem sabe ajudei os outros a construir o caminho...E esqueci de construir o meu...Como ainda tenho o grande tesouro que se chama saúde...Vou seguir o canto e a dança da voz que sai da garganta...Aprendi com as dificuldades em saber a hora certa de parar e mudar...Que os guerreiros e os poetas do universo me ajudem nessa nova jornada...
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Escuro da Boemia
OBS: O poema "Escuro da Boemia", faz parte da obra EMBRIAGANTE MAGIA DA NOITE", que será lançada em 2015 e foi escrito em julho de 2004, num momento de pura energia espiritual...
Já fiz tanta coisa/
Troquei ideias com o silêncio/
Amei o nada/
Matei a sede/
Bebendo as gotas da neblina/
Que cobria a cidade em dia de inverno/
Frio e silencioso/
Sentei no meio fio/
Olhando os habitantes noturnos/
Que andavam de um lado para o outro/
A procura de um canto para dormir/
Fiquei observando os pássaros migratórios/
Que voam de continente a continente/
Para se acasalar/
A buscar novas fontes de alimento/
Vida!/
Como é grande a sensação /
De fazer parte do ciclo da existência humana/
Tentar descobrir os mistérios da mente/
As contradições que reinam nos boêmios/
Fui à procura de uma nuvem escura/
Que se escondeu atrás de uma montanha/
Mostrando que por mais longo que seja o inverno/
A primavera sempre surge/
Florindo o que era triste e melancólico/
Ouvi o cantor /
Cantar a melodia dos amantes/
Durante uma noite inteira/
Tomei todas as bebidas que o garçom ofereceu/
Chorei grudado numa mesa/
No final.../
Fui levado pela encantadora madrugada/
Sou um Poeta/
Que se alimenta do mistério/
Da noite.../
Embriaga-se com lindas palavras proferidas/
Pela mulher amada/
Num momento de puro encantamento amoroso/
Penso que vim ao mundo/
Para apenas escrever poemas/
Sem compromisso com os “ismos”/
Muito menos com alguma escola literária/
Simplesmente vivo procurando algo que ainda não sei/
Como é gostoso/
Ver o escuro da noite/
Luzes coloridas por todos os lados/
Mulheres de programa caminhando/
Mostrando seus lindos corpos/
Aos fracassados do casamento/
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Lua dos Meus Sonhos
OBS: O poema abaixo, foi escrito num domingo de inverno de 2005, quando a lua cheia batia na minha porta, me convidando para sair, época em que morava em Cacupé. Ele faz parte da obra: "EMBRIAGANTE MAGIA DA NOITE", que será lançada em 2015. A referida obra é o mais forte e profundo testemunho da minha vida nas noites, nos bailes e nos corações das dançarinas...
LUA DOS MEUS SONHOS
A claridade entra pelas frestas do meu quarto...
A madrugada está fria...
O vento Sul assobia ...
Batendo forte nos rochedos...
Lua das minhas eternas noites...
Que imensa alegria...!
Veio convidar-me...
Para sairmos para mais uma grande
Noitada...
Estou com saudade da tua companhia...
A brisa do teu olhar...
Refresca meus olhos...
Esquenta meu corpo...
Não posso deixar de amar Você...
Lua amada Lua...!
Quantas noites...
Fostes cúmplice das minhas...
Loucuras amorosas...
Nunca falou para ninguém...
Escondeu os meus segredos...
Somente ria das minhas vontades...
De amante insaciável...
Sou teu eterno namorado...
Amante das mil e uma madrugadas...
Agora mesmo...
Ao olhar para Você...
Percebo que está sorrindo para mim...
Meigamente revelando...
Que a razão de ser bela...
É a paixão que tem pelo poeta das noites...
Que nunca deixará de te amar...
Lua cheia...
Nova e minguante...
As tuas fases...
São mostradas sensualmente...
De forma nua e clara...
Brilhante nos noites estreladas...
Não existe coisa mais bela...
Que é ter a tua companhia...
Caminhar pela areia...
Ver o brilho da tua beleza...
Fotografando o mar...
Tendo como testemunha a...
Mulher amada...
Hoje não poderei ir com Você...
Companheira de grandes jornadas siderais...
Visitar os locais de boemia...
Nem mesmo percorrer os salões de baile...
Quero que fique ao meu lado...
Fortaleça meus sentimentos...
Converse com os segredos da alma...
Necessito que...
Esparrames a tua luz nas estradas...
Escuras do meu coração...
Talvez na próxima vez...
Acompanharei Você...
Vamos matar todas as saudades que uma noite...
Proporciona aos amantes...
Perdidos na escuridão...
Da madrugada...
Tenho que apagar as mágoas...
De seresteiro...
Andando ao teu lado...
Assim a sofreguidão se acalma...
Não importa...
Lua da minha vida...
Se este poeta...
Seja solitário nas suas andanças amorosas...
Somos criaturas com a mesma alma...
Criados no alvorecer do universo...
Caminhantes apaixonados...
Pela paixão...
Que belisca a face...
Dos aventureiros que tanto te amam...
Foi acompanhando a claridade da tua beleza...
Que encontrei a boemia...
E as mulheres que tanto amei...
Que não as encontro mais...
Talvez estejam em outros recantos...
Amando outros seres da noite...
Sendo motivo de desespero...
Ou de alegrias incontáveis...
Morena Encrenqueira
Eu fui até "lá" e não encontrei você...Mesmo que estivesse acompanhada...Não me importaria...Queria simplesmente olhar nos teus olhos...Somente matar a saudade...Resgatar imagens do passado...Fiquei por "lá" um longo tempo e você não apareceu...Percebi então que o teu "adeus" foi pra valer...Morena encrenqueira...Você foi embora e deixou uma profunda encrenca no meu coração...O tempo passa...Chega amarelar as imagens de outrora...Fica sempre o sentimento que nunca desaparece...Apenas adormece em nosso coração...Sentir saudade não é pecado e nem feio...É sinal de que o amor foi profundo e sincero...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
FLORES DO LAMAÇAL
Nós somos como flores do lamaçal.../Têm momentos que exalamos profunda podridão.../Em outros exalamos perfume do campo.../Pendemos muito mais para o lado podre da vida.../Dependendo da situação somos muito mais violentos que os felinos.../Os animais matam para saciar a fome.../Nós matamos por vingança e ódio.../Tristes seres humanos...!Se esquecem que a sepultura será o final de todos.../Enquanto a alma residirá no lodo do umbral ou numa imensa planície de girassóis...Mesmo assim acreditamos que no final da estrada.../As flores do lamaçal exalarão somente o perfume do campo e dos mais belos jardins...
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Embriagante Magia da Noite
A noite tem uma magia e um grande mistério que emociona a mente e o coração das pessoas que frequentam as noitadas. Cada noite tem um segredo que pouca gente consegue saber e entender. As pessoas se transformam. Mudam de atitude. São mais livres e libertinas. Tudo acontece e tudo vira um mito ou mesmo uma lenda.
Os poemas da “Embriagante Magia da Noite” foram inspirados nos memoráveis momentos noturnos deste poeta. Ali desfilam personagens que se perderam pela madrugada, morreram de tanto amar ou desfaleceram agarrados em copos de bebidas. Dançarinos que ainda hoje dançam sem parar, procurando o par que fugiu, ou mesmo morreram abraçados com a saudade.
Cada noite era um novo dia e cada dia era uma nova noite. Nos anos em que passamos casados com os amantes da vida noturna, a existência parou no tempo. O relógio foi jogado fora porque os ponteiros quebraram de tanta emoção. Ao chegar aos bailes, na porta de entrada, este poeta dizia: - “boa noite meia noite! Cá estou para te namorar e, se for preciso, morrer nos teus braços”.
É também uma homenagem que faço aos boêmios e aos desatinados que enlouquecem as embriagantes noites. É fundamental lembrar que para tudo na vida há um tempo e enquanto esse tempo não acabar, que seja intenso, sem medo de degustar todos os momentos.
Esta obra, que será lançada em 2015, tem o objetivo de mostrar o coração da noite e as várias nuanças que permeiam os seus frequentadores. Portanto, quando ler, poderá adentrar e viajar sem receio de ser censurado pela hipocrisia.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Bento Maurício e Letícia
Há pessoas que nascem para alguma missão na vida, ou para transformar o caminho de outras pessoas. Outras vêm para provocar nos seres humanos, momentos de tragédia e angústia. Cada pessoa carrega na bagagem, grandes e pequenos projetos, que ao colocarem em execução mudam a trajetória dos seus semelhantes. É a roda da vida que gira, determinando as noites e os dias dos habitantes da Terra.
São seres especiais porque fazem a diferença por onde andam. Atraem grandes multidões, através da voz, ou de um dom artístico, ou mesmo pela magia da sua presença. Ao mesmo tempo em que são admiradas, amadas, são também invejadas e odiadas por pessoas que não admitem o progresso dos outros.
Nasceu no dia em que o mundo cantava e as cigarras encantavam, com o seu canto, os transeuntes. Ele possuía brilho nos olhos, com uma imensa vontade de cantar e fazer da sua voz o símbolo da alegria. Não era rico nem pobre, simplesmente tinha o necessário para viver. Desde que colocou os olhos nas luzes da vida, sentiu que sua missão era cantar em cima de um palco, num baile, ou mesmo nas paradas de ônibus, pelo interior, para fazer as pessoas mais alegres.
Quando completou seis anos de idade, ganhou do pai um violão, e com este presente fez dos seus dias, tempos de aprendizagem. Quem o via tocar, imaginava que nasceu com o dom musical, pois conhecia bem o instrumento. Não possuía vaidade pela sua capacidade de arregimentar pessoas em sua volta para ouvir o som do violão, ou de outro instrumento musical.
Na visão do artista que era, percebeu que a cidade onde morava estava ficando acanhada, precisava mudar de endereço, ou mesmo de ares. Depois de uma despedida repleta de emoção e lágrimas, onde cantou a canção “Chalana”, Bento Maurício embarcou em direção à capital, para subir na escada artística. Na nova morada teria condições de aprender e mostrar ao mundo que nasceu para brilhar.
No meio da viagem, na medida em que o ônibus avançava na direção do destino, Bento Maurício, adormeceu e teve um sonho. Nesse sonho, recebeu a informação que sua vida já estava desenhada, enquanto permanecesse vivo, teria que cantar nos mais diversos pontos isolados das estradas. Os hotéis de beira de estrada, as rodoviárias, os bares, seriam o palco, onde os versos e os cantos poderiam ser apresentados aos ouvintes solitários e desgarrados da vida.
A cada passo que dava, não estava se despedindo, apenas caminhando para o futuro. O presente se alongava, porque a emoção exigia que assim o fosse. Percebeu que o sonho foi um recado, quem sabe, um aviso dos donos do destino, ou um compromisso assumido em algum ponto das existências.
No coração e na alma de Bento Maurício, o som musical sempre foi o companheiro da longa caminhada. Nos momentos de sofreguidão, quando o caminho se tornou solitário, foi na música e nos instrumentos musicais que buscou a certeza de melhores dias.
Ao parar para abastecer numa pequena cidade do interior, o motorista do ônibus, olhou para Bento Maurício e disse:
- E aí violeiro, não vai descer para tomar um café?
- Boa ideia. É isso que vou fazer. – respondeu Bento Maurício.
Enquanto os demais passageiros foram fazer lanche, Bento Maurício pegou o violão e ali mesmo, na Rodoviária, cantou uma linda melodia, despertando a atenção dos transeuntes noturnos.
Era quase meia noite, soprava um leve vento frio, tornando o local propício para ouvir canção romântica, ou mesmo aquela que leva a alma a descansar. Após cantar algumas músicas, Bento Maurício embarcou no ônibus, deixando para trás uma imensa saudade nos habitantes da rodoviária.
A madrugada reinava silenciosa, e pela janela do ônibus, Bento Mauricio ia observando a paisagem do interior, fazendo com que seu coração ficasse cada vez mais triste. Porque foi no interior que ele cresceu e, naquele momento, grandes emoções o aguardavam; talvez profundamente diferentes de tudo o que já tinha vivido.
No final do corredor do ônibus, uma jovem, com pouco mais de 18 anos, observava o violeiro e sua viola. Ouviu atentamente as músicas tocadas por ele e, silenciosamente, deixou que seu coração abrisse a porta para que a musicalidade adentrasse na alma. Para conhecer melhor Bento Maurício, a moça se aproximou, dizendo:
- Boa noite, cantador! Adorei ouvir as tuas melodias, cheguei a viajar pelo tempo. Fiquei atraída por tua cantoria, que deixou meu coração apertado.
- Obrigado, minha jovem. Que bom que você gostou. – respondeu Bento Maurício, feliz em ouvir as palavras elogiosas.
- Achei bonito você ter parado na rodoviária e cantar para os passageiros que aguardavam a chegada do ônibus. Você parece ser alguém especial, pela forma que canta, passa uma energia forte e bela para as pessoas. – acrescentou a moça.
- Você é jovem e já tem esse pensamento sobre a vida. Desculpe, mas como é o seu nome? – perguntou Bento Maurício, com os olhos vidrados na linda moça a sua frente.
- Eu sou Letícia, estou indo para Florianópolis visitar parentes que faz tempo que não vejo. – Revelou, com interesse em aprofundar a conversa com o violeiro.
- Bento Maurício, às suas ordens. Na verdade, sou natural de São Miguel do Oeste e pretendo conhecer todas as cidades do nosso Estado, e depois seguir viagem pelo Rio Grande do Sul. Quero cantar em todas as cidades, de bar em bar, de salão em salão, pretendo fazer da minha vida uma longa apresentação musical. – afirmou ele, abrindo o coração para Letícia.
- Humm... Que coisa linda! Quando ouvi a tua voz lá rodoviária, senti que estava prestes a conhecer uma pessoa diferente e especial. Muitos jovens, na nossa idade, não têm esse tipo de pensamento. Querem apenas fazer da vida uma viagem sem nenhum significado. E você, assim como eu, que gosto de escrever poesia, temos uma relação profunda com a existência humana.
Enquanto o ônibus trafegava suavemente pela rodovia, a conversa entre Bento Maurício e Letícia rolou por um longo tempo, cantaram várias melodias, riram, e se olharam como dois velhos conhecidos. Não restou nenhuma dúvida que ali estava acontecendo algo extraordinário entre duas pessoas. Parecia que era um reencontro de almas que marcaram encontro para continuar a jornada na Terra.
Um novo dia estava surgindo quando chegaram à Lages. Bento Maurício pegou o violão, e disse para Leticia:
- Eu vou parar um tempo aqui. Quero cantar para esse povo. Depois, vou continuar a viagem.
- Bento Maurício, gostaria de ficar com você. Sinto em minha alma imensa necessidade de continuar ao teu lado, para formarmos uma dupla, onde posso fazer a segunda voz. Quem sabe você compõe música escrita por mim. Você me ensina a tocar violão e vamos vivendo, alegrando as pessoas tristes dos vales e das planícies da nossa terra. É assim que meu coração pede e almeja... Quero voar na música e no canto, sempre ao teu lado. Conhecer o mundo, despertar a alegria nas pessoas. – revelou Letícia, totalmente envolvida nas garras da paixão pelo violeiro.
- Letícia, eu também fico profundamente honrado com a tua proposta. Até parece que já nos conhecemos há muito tempo. Não conheço nada no sentido espiritual, de reencontro das almas e dos seres que já viveram em outras estações da vida, mas sinto um aperto muito grande no coração só em pensar que você possa embarcar e que nunca mais possamos nos ver. Fique comigo e vamos viver a vida cantando, sem nenhum compromisso, apenas alegrando as outras almas entristecidas. Também quero conhecer todos os recantos do mundo e voar junto com você, como dois passarinhos sem ninho, assim como fazem as aves de arribação, que embelezam as montanhas. – acrescentou Bento Maurício, agradecido por ter conhecido a sua cara metade.
- Bento Maurício, no domingo passado, sonhei que estava na rodoviária esperando por alguém que sentia grande saudade. Agora, entendo o significado desse sonho. Nada vai nos separar. Você é dois anos mais velho e tem mais experiência do que eu e, assim, poderemos formar um lindo casal, onde o respeito e o amor serão o norte de nossas vidas. – afirmou Letícia, com os olhos cheios de lágrimas.
A vida e o destino não são escritos por nós no momento do caminhar. Tudo é montado em algum lugar que nós não sabemos. Cada um de nós tem uma trajetória, que em certo ponto se junta a alguém para construir uma obra de envergadura existencial. Bento Maurício e Letícia, depois daquele dia, nunca mais se separaram. Casaram, tiveram dois filhos, fazendo do canto e da música, a esperança para outras pessoas nas mais diversas cidades que se apresentaram. Foram dois pássaros que saíram do ninho para, lá na frente, formarem uma dupla de seres destinados a encantar os caminhantes. Conheceram todos os recantos, sempre deixando emoção, saudade e apertos nos corações dos transeuntes.
Fosse nos bailes, na TV ou no Rádio, a dupla contagiava, pela forma linda e alegre com que se apresentava, mostrando que a vida, por mais difícil que possa ser, sempre tem um grande significado. As letras, escritas por Letícia, trazia um caminho para as almas viventes da Terra. Nunca entraram em discussão com outras pessoas, eram carinhosos um com o outro. Nasceram para viver juntos; fazendo da jornada uma bela composição musical. A musicalidade e a energia acalmavam o mais triste e raivoso dos seres.
Ao completarem 60 anos de carreira artística e 82 de vida, quando seguiam viagem para Dionísio Cerqueira, para se apresentarem, o carro que viajavam se perdeu numa curva indo bater de frente com um ônibus, que seguia para Chapecó. Não viram e não sentiram nada, porque dormiam no momento da colisão.
Suas almas, agora, estavam cantando no céu, pois no momento da morte, os anjos fizeram da travessia, um longo sono; sem dor, apenas, a ruptura de uma mágica vida. Para a polícia, o culpado foi o motorista, que também dormia ao volante.
Nas rodoviárias do interior, no silêncio da espera do próximo ônibus, alguém ligou o radinho de pilha, e a voz de Bento Maurício e Letícia adentrou nos corredores, transformando a tristeza em momentos de alegria. Já no baile do Pacheco, em São Miguel do Oeste, o gaiteiro João, relembrou a famosa música “Canta Coração”, de autoria de Letícia e Bento Maurício.
Lá nas alturas, onde o paraíso é o reino das almas felizes, o casal de violeiros canta as suas melodias, alegrando as almas que viveram na Terra. Por mais melancólica que possa ser uma alma, nesse momento de cantoria, essas almas saudosas ficam felizes, porque tudo passa, até mesmo os instantes de infortúnios vividos na Terra. Nas moradas do Eterno, Bento Maurício e Letícia são criaturas amadas e respeitadas, porque já viveram em diversos mundos, sempre levando o amor e a alegria aos viventes.
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