sábado, 17 de setembro de 2016

A FLOR DO JARDINEIRO

Flor.../ Você não é mais a mesma/ Não tem mais perfume.../ Teve um tempo/ Que perfumava o ambiente/ Exalava aroma/ Por todos os lugares.../ Destacava-se no jardim/ Era a mais bela.../ Exuberante.../ Chamava a atenção.../ Parecia que sorria/ De tão linda quer era.../ Os beija-flores/ Disputavam para sugar o néctar.../ Agora.../ Nenhum se aproxima/ Perdeu o charme/ A beleza desapareceu/ Talvez tenha se escondido/ Ou ficou/ Com vergonha/ De ter perdido a beleza... Deixou cair a coroa/ De rainha das flores.../ A tua cor/ Era vermelha/ A cor da paixão.../ Hoje perdeu o vermelho.../ Ficou sem cor.../ Flor...!/ A tua vida está no fim/ Ainda bem/ Que tiveste o teu reinado/ Viveste dias de glória.../ Intensos momentos.../ Quando foi amada/ Disputada.../ Invejada pela/ Insustentável beleza.../ Aproveitou bem/ Cada instante.../ Foi amada pelos/ Mais lindos beija-flores.../ Que hoje/ Fazem de conta/ Que nunca te conheceram.../ Não fique triste/ Flor do meu jardim.../ Eu sempre irei te amar/ Amei quando era bonita/ Vou te amar/ Na tua feiúra.../ Você vai ser lembrada/ Pelo jardineiro/ Que te cuidou/ Como a flor mais linda/ De todos os jardins.../ Minha flor.../ O perfume pode acabar/ Mas o amor/ Jamais acaba/ Quando é sincero.../ Flor do meu jardim.../ Quando a tua morte chegar.../ Vou construir no jardim/ Um mausoléu/ Para guardar o teu corpo/ Para que nos momentos em que/ Eu sentir falta de você/ Possa te visitar.../ E assim.../ Acalmar o coração.../ Desse teu eterno jardineiro.../

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A PROSA DA MINHA CANÇÃO

Cá estou/ Nesta mesa/ Tocando o meu violão.../ Silêncio toma conta do recinto.../ Cada pessoa/ Ouve atentamente/ As cordas do meu violão/ Gritarem sobre as paixões/ Que tomaram conta do meu coração.../ Faço do violão/ O meu ganha pão.../ Os dedos estão marcados/ Das vezes que mexeram nas cordas/ Do meu violão.../ Tenho liberdade de tocar/ Qualquer música.../ Quem me assiste/ Já me conhece.../ Respeitam-me/ Admiram o meu jeito/ Sabem que sinto/ O pulsar de cada coração.../ As músicas que toco/ Estão carregadas de puro/ Sentimento da boemia.../ Que chia baixinho/ Que estremece o peito.../ Muitas vezes/ Não tenho hora para terminar/ A apresentação do meu violão.../ A noite fica pequena/ O local transforma-se/ Num paraíso musical.../ O próprio violão/ Abre o livro da minha vida.../ Sempre foi assim.../ Cada música/ É uma história.../ Que teve início/ Teve fim.../ Carregadas de sentimento/ Escritas na magia da noite.../ Na ardente madrugada.../ No profundo desejo.../ Nos encontros casuais.../ Com as damas de vermelho.../ De branco.../ E de preto.../ Sem promessas.../ Sem despedidas.../ Histórias destemidas.../ De tão calientes.../ Não mereceram continuidade.../ O meu violão/ Cúmplice de tudo.../ Fez sempre das suas cordas/ A aprovação/ Das paixões vividas/ Na minha ardente vida.../ Como cantor.../ Poeta da noite.../ O meu violão/ Foi o maior escritor.../ Escreveu as notas mais sentidas.../ Nunca fugiu/ Sempre colado aos meus braços/ Às vezes chorou.../ Principalmente quando viu/ A linda mulher/ Na calada da noite.../ Tomar outro rumo/ O rumo da solidão.../ Porque tem coisas na vida/ Que são boas.../ Mas tão boas.../ Que não se consegue repetir/ A mesma dosagem de sensualidade.../ Quando a apresentação termina/ Coloco no ombro/ O companheiro de emoção.../ Saiu de mansinho/ Abrindo a porta da noite/ Para entrar na janela do dia.../ Vou à procura de outro caminho.../ À procura de outro salão/ Para continuar tocando.../ Cantando e proseando.../ Com outras damas/ Carentes.../ Precisando ouvir/ Uma linda canção.../ Assim a minha vida/ Vai sendo contada.../ No triste som do/ Meu violão.../

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

SE PRECISO FOR

Na guerra civil espanhola em 1936, o grande poeta Gabriel Garcia Lorca, afirmou que quando a esquerda é golpeada pela direita, é necessário reagir. Eles derrubaram a Dilma, eleita democraticamente pelo povo, honesta e sincera e nada aconteceu. Agora as pesquisas apontaram que se a eleição fosse, Lula serei eleito. Não deu outra. A direita, através dos procuradores da Lava Jato, denunciaram Lula, sem NENHUMA prova. Apenas com o objetivo de tirá-lo do cenário de 2018. Aécio, Renan, Temer e outros golpistas, foram delatados por vários empresários e nada está acontecendo.Como poeta, estou profundamente triste. Gabriel Garcia Lorca, pegou em arma para defender o governo socialista, eleito pelo povo espanhol, em 1933.Foi fuzilado a mando do Franco. Em seguida, o general Francisco Franco, com ajuda de Hitler, comandou uma sangrenta guerra civil, quando morreram milhares de espanhóis. Sou um poeta de esquerda, lutei contra a ditadura militar e não terei medo em pegar em arma para defender a democracia. Se preciso for, darei a minha vida, defendendo os sinceros democratas do nosso Brasil.

TOCADOR DE GAITA DE BOCA

Sento embaixo de uma árvore/ Para tocar a minha gaita de boca/ Que acalenta o coração.../ Cada lembrança.../ Uma música.../ Que ecoa.../ Na imensidão da costa/ Do Rio Uruguai.../ Na época da escola/ Vinha brincar na sombra/ Da grande árvore/ Para me proteger do sol.../ Naquela época/ Não sabia/ Tocar gaita.../ Foi no colégio dos/ Irmãos Maristas/ Que tive a alegria/ De aprender a usar/ Esse instrumento/ Um dos mais antigos do mundo.../ Como bom aluno/ Estudei a arte da música/ Os clássicos musicais/ E a vida dos artistas.../ A árvore ainda existe.../ Até mesmo os/ Velhos trilhos do trem/ Que lutam para sobreviver/ Ao ataque do preto asfalto.../ Uma vez por mês/ A Maria Fumaça fazia/ Percurso de uma cidade/ À outra.../ Para matar a saudade dos/ Idosos/ E a curiosidade dos moços.../ E nesse dia/ Profundamente mágico/ É que eu ia até a árvore.../ Sentava sobre uma pedra/ E lá ficava.../ Tocando a velha gaita de boca/ As músicas mais lindas/ Eram tocadas.../ Tendo como pano de fundo/ O apito da Maria Fumaça.../ Em datas especiais/ Vestia o uniforme de trabalhador do trem/ Aquele que recepcionava os viajantes.../ Com imensa alegria/ Ia dizendo.../ Sejam bem-vindos! Boa Viagem!/ Depois.../ Quando o trem partia/ Para mais uma viagem/ Circundando o caudaloso Rio Uruguai/ Ficava no fim de um vagão.../ De pé.../ Pegava a gaita de boca.../ Ia tocando as belas músicas/ Desde os clássicos sertanejos da época/ Aos remotos clássicos de nossos avós.../ Para os passageiros/ Felizes com o saudoso passeio/ Enquanto isso.../ A Maria Fumaça/ Deslizava suavemente/ Nos trilhos da Ferrovia São Paulo Rio Grande.../ Vivi muitos anos da minha vida/ Trabalhando nesse trajeto.../ Na ocasião.../ A ferrovia ligava/ São Paulo a Buenos Aires.../ Período em que muitos presidentes/ Dos países do sul do continente/ Viajavam com suas comitivas/ Em viagens de negócios.../ O tempo passou.../ Lentamente.../ Tudo mudou.../ Marcou a minha alma.../ Até mesmo o meu endereço mudou.../ Hoje vivo no reino das almas.../ Agora toco gaita de boca/ Para as almas/ Que voltam para a Terra/ Numa nova viagem.../ Tenho certeza/ Que quando elas/ Estiverem viajando/ E virem uma Maria fumaça/ Certamente vão lembrar de mim.../ O tocador de gaita de boca/ Da Ferrovia São Paulo-Rio Grande.../ E a você.../ Poeta das almas.../ Quando voltares para cá/ Vou te recepcionar/ Tocando a minha/ Gaita de boca.../

MONÓLOGO DE UMA DESPEDIDA

Não posso olhar para trás/ Se eu olhar.../ Não vou conseguir andar.../ A metade de mim/ Vai ficar grudada/ Em cada metro quadrado/ Das estradas por onde andei.../ A despedida é tão triste/ Que corta a alma/ Arranca um pedaço do coração/ Mesmo não olhando para trás.../ Chegou a hora de partir/ Já fiquei muito tempo/ Vou pegar a estrada/ A estrada será a minha casa/ Casa de uma ave de arribação.../ A única coisa que levarei/ Será a saudade.../ Como ave/ Vou voar/ De noite/ De dia.../ Com chuva/ Com sol.../ Não ficarei por muito tempo/ Num galho.../ Voarei... Voarei.../ Para um lugar muito distante.../ É difícil dizer adeus.../ Nunca gostei de despedida.../ Ninguém me ensinou/ A virar as costas/ Sem deixar um pedaço/ De mim/ No coração de algumas pessoas.../ Como ave/ Jamais vou permanecer/ O tempo que permaneci/ Nesse lugar.../ Quero apenas degustar/ A realidade.../ Depois seguir adiante.../ Assim não criarei raízes/ Nas alturas do infinito.../ Quero ouvir a música do céu.../ A serenata das nuvens brancas/ Pairando sobre os/ Campos verdejantes.../ Observar a dança das estrelas/ Ver os primeiros raios do sol/ Cruzando a Terra.../ Ficar perto dos anjos/ Conversar com alguns amigos/ Que partiram há muito tempo/ Sem se despedirem de mim.../ Longe... Muito longe.../ É o local onde pretendo ficar.../ Vou-me embora/ Porque quero ir/ Sem motivo aparente/ De lá.../ Jamais voltarei.../ Quando sentir saudade/ Vou sentar numa pedra/ Próxima a algum rio/ Ouvindo o som das águas/ Assim a minha saudade/ Viajará com a correnteza.../ As aves de arribação/ São solitárias.../ Vivem como pedras de rios.../ Rolam rio abaixo.../ Chegam a ficar lisas/ De tanto serem jogadas/ De um lado para outro.../ É o meu monólogo/ Da minha despedida/ Despedida de um tempo/ Que demorou a passar.../ Não será a minha morte/ Que não existe.../ Será a travessia/ Ou a chegada de uma viagem/ Tudo tem um tempo/ E o tempo da ave de arribação chegou.../

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

VIDA NO SÍTIO

No meio da mata/ Entre o pé de cedro e/ A araucária.../ Cheiro de terra/ Casinha de madeira/ Branca com janela azul/ Na beira do Rio Uruguai/ Móveis simples/ Fogão a lenha/ Para esquentar as noites/ Frias de inverno.../ Pinhão assado/ Na chapa.../ Leite recém tirado da vaca/ Com café/ Feito na hora.../ Com pão de milho.../ Para acordar.../ O cantar do galo/ Que alegre/ Convida as galinhas/ Para namorar.../ Antes do dia clarear/ Porque o frio não assusta/ Quanto mais gelado/ Mais cedo se levanta.../ No fundo.../ O barulho das águas/ Do grande Rio Uruguai.../ Formam uma bela sinfonia.../ Depois.../ Dar ração às galinhas/ E aos porcos.../ Que famintos/ Esperam ansiosos/ A bóia do nascer do dia.../ Tudo feito/ É hora de/ Pegar a enxada/ Capinar a terra/ Antes que o sol fique alto/ É tempo de plantar/ O alimento para o dia de amanhã.../ No meio do dia/ Vem a hora do almoço/ Arroz com feijão/ Carne de porco/ Frita na hora/ Com mandioca/ Alface e tomate/ A salada que não pode faltar.../ No prato do interiorano.../ Em seguida.../ Uma sesta/ De meia hora/ Na rede/ Estendida na varanda da casa.../ Antes que o dia termine/ É hora de recolher o gado/ Os cavalos/ Para dentro da estrebaria.../ Para o jantar/ Uma galinhada/ Com polenta/ Rúcula colhida na horta.../ Em seguida/ Pegar o violão/ E a gaita de boca/ Uma cantoria para/ Chamar o sono.../ Que lentamente vem surgindo.../ Assim é a vida no sítio/ Sem novela/ Sem Jornal Nacional/ Do homem simples/ Da alma boa/ E tranquila/ Fincada nos rincões/ Beirando o Rio Uruguai/ Longe da carnificina do mundo/ Distante de qualquer aplicativo/ Que deseduca a alma do homem simples.../ A vida no sítio/ É a ante-sala do paraíso/ Que as almas boas do mundo/ Mais almejam.../

SOB O SOL DE ATACAMA

Vou realizar um sonho/ Correr no Deserto do Atacama/ Depois de mais/ De meio século de vida.../ Em terreno árido/ Em solo de salina/ Nas grandes montanhas/ Nos desfiladeiros/ Próximo dos vulcões ativos/ Vou levar a adrenalina/ A determinação/ A certeza/ Junto comigo.../ Cada passo/ Que eu der/ Na poeira do deserto/ Será um passo/ Rumo à chegada/ Para receber a/ Medalha dos bravos.../ Mesmo correndo/ Com a boca seca/ No deserto rarefeito/ Não vou desistir.../ Nem ter medo.../ Sob um sol escaldante/ Vou escalar correndo/ Até o topo de uma montanha.../ No vale da morte/ Onde não chove há quatrocentos anos.../ Vou correr/ Voando baixo.../ Com alegria de guerreiro.../

NÃO VOU ADORMECER SEM DEGUSTAR OS MEUS SONHOS

Ninguém prende um pensamento. Ninguém aprisiona uma alma ou um coração. O amor é livre e o gostar caminha junto com a liberdade. O desejo ...