sexta-feira, 18 de maio de 2018

SIGILO DE UMA PAIXÃO

Silencio/Segredo/Enredos de uma história/Em silencio/Fizemos amor/Que ficou guardado/Em quatro paredes/Tudo aconteceu/Numa noite/Chuvosa e fria/Não ouve promessa/Quando a noite chega/E com ela/A chuva e o frio/Espero por você/Tudo fica em silencio/Nada acontece/Somente lembranças/Não posso fazer nada/Foi um encontro fortuito/Você apareceu do nada/Desaparecendo com a névoa da madrugada/Ainda lembro/Você caminhando lentamente/Como se fosse o caminhar/De uma despedida/Silencio/Segredo/Enredos de uma paixão/De uma noite/Chuvosa e fria/Que ficou congelada/Na escuridão/Na sombra/No fio do medo/Da vinda/E da saída/De uma veloz paixão/Daquelas que marcam o coração/Silencio/Segredo/Proibida paixão/De dois amantes/Que não tiveram coragem/De repetir o louco encontro/De desejos impublicáveis/Agora... /Cada um/Vive enclausurado/Na hipocrisia de um falso casamento/Em cima/Do fio da navalha/Perto do despenhadeiro mortal/Vivendo ao lado do silencio/De mãos dadas com o segredo/Que um dia será revelado pelo vento/Frio de um inverno/De um ano/Que está chegando....

segunda-feira, 7 de maio de 2018

DESPERTAR DE UM SONHO

Desde a última primavera que caminho. Larguei a vida e resolvi conhecer outro mundo. Deixei o que estava fazendo. Trago comigo muitas lembranças. Não vou enumerá-las, porque não é necessário. As imagens da saudade falam por si só. Agora ando sem preocupação com a chegada. Sem revolta e sim, procurando outras paisagens que acalentem o meu coração. Como é diferente aqui, e bonito! Há jardins para todos os gostos. Rios e cachoeiras por todos os cantos e recantos. Até mesmo a forma de chover é diferente. As bagas de chuva não são pesadas e sim finas e levemente mornas. O sol ilumina alguns lugares, porque a sombra das frondosas árvores se destaca de forma elegante. As moradas são construídas em cima de platôs, para apreciar a beleza das formas arquitetônicas. Existem inúmeros gramados, com as mais diversas gramas, desde a mais fina a mais grossa. Em cada residência tem um pomar com as mais variadas frutas. Na semana passada, ao conhecer uma vila embaixo de uma grande montanha, me defrontei com uma senhora de aproximadamente 70 anos. Simpática e bonita, logo veio me cumprimentando. Sorrindo disse: - Como vai Lucian? Quanto tempo! Por onde andavas? – Perguntou a carismática senhora. - Estou bem. Mas, como sabe o meu nome? Não lembro de conhecer a Senhora. – Respondi surpreso. - Bem. Antes de responder a sua pergunta, deixe que eu me apresente. Sou Larita, filha das velhas terras geladas da Rússia. Você não lembra, mas somos antigos conhecidos. Com o decorrer do tempo, você vai se lembrando. – Acrescentou Larita. - Eu sei tudo sobre a sua vida e logo você saberá tudo também da minha vida. Eu estava ansiosa para ter esse encontro com você. Estou a um longo tempo aguardando o momento certo para termos uma valiosa conversa. Não se preocupe, pois a nossa conversa não será desagradável, mas será esclarecedora e bonita. Você veio para cá numa longa noite de sono. Preparamos a sua chegada, pois queríamos que fosse lenta e sem sobressaltos. Depois da sua passagem de um lado para o outro, e do descanso normal de todo viajante, você está efetuando uma caminhada para conhecer e se adaptar ao local onde irá residir daqui para frente. Enquanto Larita ia conversando comigo, me vi sentado num banco de madeira, próximo a um riacho. Assim como as imagens de quem era aquela simpática senhora, que aos poucos foi se transformando numa mulher bem mais nova e linda. - Lucian, você ainda não lembra, mas a nossa primeira convivência vem das quentes estepes da amada Rússia. Eu era a única filha de um famoso general russo e, você, filho de um nobre fazendeiro do Caucácio, antiga região da grande Rússia. Desde o primeiro momento em que nos olhamos, algo profundo surgiu entre nós. Esse encontro aconteceu quando a minha família foi negociar uma datcha com seu pai. O meu pai queria adquirir uma casa de campo para passar as férias comigo e com mamãe. Vi você pela primeira vez embaixo de uma macieira. Estava participando da colheita anual de maçãs. Aproximei-me e iniciamos uma bela história de amor que até hoje insiste em permanecer em nossas almas. Os nossos pais ficaram maravilhados por vermos apaixonados um pelo outro. Casamos num outono, estação das folhas mortas. Vivemos grandes momentos. Viajamos para todos os lugares, pois tínhamos muitos recursos. Tudo ia bem até que um dia o nosso caminho foi interrompido por uma tragédia. A nossa noite de amor foi violentamente cortada. Estávamos em plena carícia amorosa quando a nossa linda datcha foi levada pelas águas do rio Don. E com as águas turbulentas do Don, eu e você fomos tragados. Nunca mais encontraram os nossos corpos. Esse trágico acontecimento tornou-nos seres com grande rancor, mágoa e ódio. Muitas viagens existenciais fizemos, muitos desencontros aconteceram, mas em nenhum momento tivemos a oportunidade de nos reencontrar. Você se encaminhou pelo lado do militarismo, aumentando o ódio no coração. Eu me enveredei pelo caminho da prostituição e do ópio. Em todos esses momentos eu e você tínhamos sonhos sobre a vida na amada Rússia. Já se passaram 400 anos e, agora, estamos preparados para continuar o sonho interrompido pelas águas selvagens do rio Don. Não importa mais o passado nem o porquê dessa luta cruenta pelo reencontro de duas criaturas que estavam vivendo uma inesquecível vida a dois. - Engraçado, no início da sua conversa, você era bem mais velha, agora mudou totalmente. Está bem jovem e muito bela. Enquanto descrevia o passado, as imagens acompanhavam a narrativa e eu ia me emocionando. – Acrescentei. - Aconteceu com você também. Você não percebeu, mas de longe, eu via um senhor com seus 70 anos de idade, caminhando e observando a paisagem, como que procurando alguma resposta. Agora, vejo à minha frente, um jovem lindo e com os mesmos dotes físicos que conheci no distante tempo que nunca foi esquecido. – Revelou. Agora, a caminhada não era mais solitária. Depois do diálogo e das revelações, eu e Larita descemos por uma estrada que, aos poucos, foi se transformando no mesmo caminho que levava à nossa datcha. Como se fosse um pesadelo que tinha terminado, estávamos sentados na grande varanda, observando o caudaloso rio Don viajando para o Mar de Chukchi. Talvez fosse necessário termos passado por tantos pesadelos ao longo dos 400 anos, para valorizarmos o profundo sentimento de duas almas.

domingo, 6 de maio de 2018

DIAS DE CHUVA

Depois de uma interminável noite/Sem sono/Ao acordar/Abri meus olhos/Lentamente/Olhei para o tempo/O tempo estava triste/Ele chorava/Eram lágrimas que caiam do céu/Não podia ir ao encontro de você/Você mora muito longe/Depois do grande lago/Não sei quando poderemos nos encontrar/Continuo observando o tempo/Algo está mostrando/Terei que esperar/Longa espera/No lago/Alguns barcos navegam/Em direção ao norte/Tudo está cinzento/O sol foi embora/Deixou para trás/A sensação de que devo aguardar/A chegada de você/Você deve atravessar o lago/Pegar o primeiro barco/Mesmo que seja/Debaixo das lágrimas do céu/Você deve seguir o meu caminho/Enfrentar as dificuldades/Ir morar comigo/Em outras terras/As terras do velho continente/Lá você/Eu/Seremos felizes/Vai precisar/Atravessar o lago/ Enfrentará criticas/De todos os lados/Pedras serão jogadas em tua direção/Depois de longo tempo/Vendo o tempo/Mostrar a profundidade do destino/Fecho os olhos/Adormeço/Sonho com você/Você está embarcando num barco/Está vindo em minha direção.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

A SUAVE MUSICALIDADE DA ALMA

Sou dono de mim/Dono do meu destino/Sigo o meu caminho/Sou dono da minha vida/Responsável por ela/E ela por mim/Não aceito opinião de ninguém/Ninguém tem o direito/De opinar sobre os passos/Da minha vida/Estou além da metade da estrada/Preciso aproveitar o que falta/Não posso me arrepender/Se um dia olhar para trás/E dizer que devia ter feito alguma coisa/Por alguma razão deixei de fazer/Iria ficar muito triste/Amo a vida/Cuido da saúde/Não dou opinião sobre a vida de ninguém/Acredito no agora/Nasci no meio das adversidades/Fui filho das dificuldades/Venci todas elas/Com galhardia/Coragem/Determinação/Sem pisar em ninguém/Quero sair daqui feliz/Com passagem só de ida/Porque jamais irei voltar/Deixe-me seguir os meus passos/Não se preocupem comigo/Sei o caminho/Necessito alcançar a grande montanha/Acredito que cada um/Tem que viver no seu quadrado/Acredito na liberdade/Acredito na democracia/Acredito no sonho/Acredito que nascemos com o trajeto pronto/Ninguém pode interferir em nosso projeto/Se errarmos/A culpa será nossa/E demais ninguém/Quero ouvir a musica da minha alma/Quero ver o nascer de um novo dia/Quero conhecer outros lugares/Outras paragens/Rir dos problemas deixados para trás/Sorrir por estar sendo amado/Sorrir por cada vitória/Em maratonas pelo mundo/Escrever poema sentado numa pedra/No alto da montanha/Mais alta do mundo/Brincar como criança/Errar sem carregar culpa/Não carregar no coração ódio de ninguém/É assim que penso/E assim que vou viver o resto da vida.

terça-feira, 10 de abril de 2018

AMOR NÃO MORRE...SIMPLES ASSIM

O peito pede/O coração lamenta/Não aceita/A vida sem você/Vivo pelos cantos/Tentando te esquecer/Vivo de bar em bar/Afogando as mágoas/Você pode/Ter quem quiser/Mas não vai esconder/A longa história de amor/Que tivemos/Pode até amar/Outra pessoa/Mas não amará como me amou/Depois de muito tempo/O dia ainda não tinha/Ido embora/Quando mandei uma mensagem para você/Para saber como estava/Agradeceu a lembrança/Reconheceu que tivemos/Uma linda história/Me desejou felicidade/Retornei desejando a mesma coisa/Nas entrelinhas/Captei uma leitura/Do fundo teu coração/Você ainda me ama/Apenas aguarda que o destino/Nos coloque na mesma estrada/Enquanto isso não acontecer/Vive na planície de um falso amor/Deixa a vida levar/Como tenho feito/Esperando a hora chegar/Que pode ser hoje/Amanha/Ou depois de amanhã...

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A CULPA É DO TROVADOR

A canção que faz tremer/Os alicerces da vida/Vida na boemia/Boemia que alimenta/A máquina da alma/Alma destinada/A perambular de bar em bar/Perambulando por todos os cantos/Canção na madrugada/Nos salões de baile/Baile que embala o destino/Destino feito para navegar/Em águas desatinadas/Desatino completo/Completando o grande final/Final de um seresteiro/É procurar fantasmas amorosos/Que foram deixados pelo caminho/Caminho repleto de espinhos/Espinhos cravados no coração/Coração não amado/Amado somente por mulher/Que pula de galho em galho/Galho quebrado/Quebrado pelo peso da melancolia/Melancolia construída nas intensas noites/Noites quentes na bebida/Sexo e droga/Droga de vida/Vida que não tem fim/Fim que o seresteiro não quer/Quer continuar/Curtindo o que resta da existência/Existência precária/Precária e solitária/Solitária sem ter alguém/Alguém que nunca valorizou/Valorizou somente amor fortuito/Fortuito e desejável/Para o trovador das paixões/Paixão jogada fora/Fora e longe da sorte/Sorte que nunca teve/Teve somente alguns momentos/De parcos amores/A culpa é do trovador/Que trovou demais/Errou demais/Acreditou demais na vida/Acreditou demais em “ismos”/Acreditou demais no invisívelAcreditou em falsas promessas/Acreditou na formalidade/Que empurrou o trovador/Para a sarjeta/A culpa é do trovador/Que falou demais/Cantou demais/Esqueceu de construir/A sua própria vida/Vida resultado de ter acreditado demais/Que a partir de agora/O trovador vai construir a sua própria estrada/Escrever a sua canção/Para dar/Verdadeira emoção/Esquecendo o passado/Vivendo o presente/Sem pensar que existe o amanhã/Porque o amanha é incerto.

terça-feira, 3 de abril de 2018

O POEMA E A GAIVOTA

Praia deserta/Final de tarde/Outono de um ano/Que o tempo não traz de volta/Somente o barulho das ondas/Abraçando a praia/Era ouvido/Sentei numa pedra/Fiquei pensando/Queria tirar a vida a limpo/Resolvi escrever um poema na areia/Nele descrevi os passos e os compassos/Da caminhada/No céu/Uma gaivota/Voava de um lado para o outro/Parecia que estava lendo o que eu escrevia/Com seu canto/Embalava a minha imaginação/De repente/Ela pousou em cima do meu poema/Exatamente na quarta linha/Onde dizia/Que a vida é uma canção/Uma melodia/Uma poesia/Um poema/Um romance/Que só termina/Quando partimos daqui/Quando o nosso dia terminar/Ou quando formos chamados/Para ir para outra dimensão/Ela ficou ali/Por um bom tempo/O suficiente para que outras palavras/Surgissem na mente/Quando ela voou/Escrevi na areia quente/O final do poema/Que relatava/As nossas paixões... /Amores... /Que cruzam em nossas vidas/Mas que deixam marcas... /Cicatrizes no coração/Que fazem de nós/Seres embriagados/Por fortes emoções amorosas/Como não queria perder o poema/Porque logo a maré viria/E levaria as palavras/Resolvi anotar num papel/Nesse instante/A gaivota voltou/Pousou novamente sobre o poema/Ali ficou/Olhando-me/No seu olhar percebi/Que ela não queria que anotasse o poema/Queria que o poema/Fosse levado pelas águas salgadas do mar/Que fosse distribuído por todas as praias desse mundão/Já era tarde/Quando a maré subiu/Levando com ela/O meu poema/Que hoje deve estar/Sendo lido pelas gaivotas/Pelos transeuntes... /E pelos inúmeros caminhantes dessa terra.

SIGILO DE UMA PAIXÃO

Silencio/Segredo/Enredos de uma história/Em silencio/Fizemos amor/Que ficou guardado/Em quatro paredes/Tudo aconteceu/Numa noite/Chuvosa ...