sexta-feira, 23 de junho de 2017

TRISTE UIVO DA ALMA

NOITE/ALIMENTO DA MINHA ALMA/CAMINHANTE E FELINA ALMA/SOLITÁRIA E BOEMIA ALMA/APAIXONADA ALMA/ALMA LIBERTÁRIA/ALMA GUERREIRA/QUE FAZ DA NOITE/A PONTE DOS LOUCOS SONHOS/SONHOS REALIZADOS NAS LOUCAS MADRUGADAS/NUNCA IREI ME DESPEDIR DA BOEMIA/VOU MORRER NOS BRAÇOS DA NOITE/FOI NA NOITE/QUE TIVE MUITOS AMORES/AMORES QUE ATÉ HOJE GUARDO PROFUNDA SAUDADE/FUI AMADO NO BALANÇO DA NOITE/OUVINDO GAITA E VIOLÃO/NOS MAIS DIVERSOS SALÕES/COMO FILHO DA NOITE/AMANTE DA MADRUGADA/SOU UM EXILADO/NÃO TENHO PARADA/SOU CIGANO/COMO NÃO TENHO MAIS TEMPO/ENQUANTO VIVER/VIVEREI CANTANDO/DECLAMANDO/POEMAS E POESIAS/NOS RECANTOS/NOS CANTOS/NOS INTERIORES/DA TERRA SANTA/ONDE NASCI,

quarta-feira, 21 de junho de 2017

INEVITÁVEL ALOMORFIA

Momentos que não terminam/Sentimentos/Cinzentos/Obscuros/Intrínsecos/No jardim/As flores estão murchando/Nos campos/Os lírios vão desaparecendo/O perfume está deixando de exalar/O cheiro de esgoto começa a se expandir/No céu/ As nuvens vão escurecendo/Os olhos observam a mudança/Com profunda amargura/A transformação está vindo/Aos poucos vem chegando/Os rios estão secando/A cantoria da virada começa a ecoar no horizonte/Nada vai ficar/A fatura está a caminho/Plantou/Vai colher/É livre para semear/A obrigação da colheita vem junto/Não vai adiantar reclamar/É a inevitável alomorfia de uma lastimada vida.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

ESMOREÇA NOS MEUS BRAÇOS

Não demore/Estou com sede/Estou com fome/Tenho desejo/Venha acabar com os meus desejos/Venha eliminar as saudades/Que tenho/Abra a gaiola/Me liberte/Seja a liberdade que tanto espero/Seja a ponte que separa/O inferno do céu/Quero te ver/Quero adormecer nos teus braços/E me enrolar nos teus lindos cabelos cumpridos/Quero olhar nos teus olhos/Beijar os teus lábios/Doces lábios/Me afogar nos teus calientes beijos/Quero ficar arrepiado/Ao sentir o teu provocante abraço/Sentir o avanço das tuas meigas mãos/Em meu carente corpo/Acariciar o teu lindo corpo/Levar você para o recanto do prazer/E ser a mulher dos meus loucos sonhos.

sábado, 27 de maio de 2017

POEMA DE UM FILME

Não consigo me acostumar/Preciso voltar a concluir aquele filme/Que ficou pela metade/Onde éramos os protagonistas/A história era nossa/O enredo foi montado por nós/De uma hora para outra/Paramos sem nada dizer/Eu fui embora/Você seguiu outro caminho/O local das filmagens ainda permanece esperando por nós/Os coadjuvantes do filme/Não conseguem entender/O que aconteceu/A história era de um lindo casal de amantes/Acabou sem uma explicação/Tinha tudo para terminar a montagem/Mostrar ao mundo/Que apesar das imensas dificuldades/Ainda vale a pena ter um amor/Mas por um motivo banal/Um ciúme infantil/Viramos as costas/Fomos lamber as feridas do coração/Bem distante/Sem olhar para trás/Com o orgulho ferido/Estragamos um belo caminho/Até quando vamos ficar assim?/O tempo passa/Os dias/As noites/Passam como um vento forte/Quando morrer o sentimento que tínhamos no coração/Não adiantará falar da saudade.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

POEMA AO MAR

A noite começava a adormecer/E o dia acordando/Caminhava pela praia/Sentei-me um pouco/Resolvi escrever um poema para você na areia/Para lembrar o verão passado/Quando caminhávamos na praia/A canção que cantarolávamos ainda está na memória/Não posso negar que foi uma paixão de uma noite/Mas que teima em ficar nos meus pensamentos/A maré estava baixa/Consegui escrever um belo poema/Lembrando daquelas horas que passamos juntos/No céu/Os pássaros migratórios voavam à procura de alimentos em outras terras/Ao terminar o poema/Fiquei lendo e lendo o que escrevi/A tua imagem formou-se na minha frente/Aparecia e desaparecia/De acordo com o balançar das ondas/Em seguida a maré começou a subir/De repente o poema desapareceu/Para minha surpresa/O poema continuou sendo levado pelas águas do mar/Nenhuma letra ficou faltando/No vai e vem das ondas/O poema foi sendo levado/Como uma carta/Navegando sobre as águas/Quem sabe o oceano sabia onde você morava/E iria entregar o que escrevi para você/Fiquei ali sentado até a última letra desaparecer na imensidão das águas/Todas as sextas-feiras/No mesmo horário/Fico sentado no mesmo local/Esperando a resposta do poema que escrevi para você/Até agora/A única coisa que ouço/É o canto das gaivotas/Celebrando o nascer de um novo dia.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

POEMA DE UM SONHO

Lá fora/A chuva não para de molhar o chão/Aqui dentro/O meu coração lamenta viver aqui/Quer de todo o jeito/Voltar a adormecer/Quer procurar você/Quer voltar a sentir os teus molhados beijos/Quer eternizar os gloriosos segundos que passamos juntos/Quer que nunca mais/Volte a acordar/Que o nosso sonho/Seja infinito/Que o relógio do tempo pare/Que quebre de uma vez por todas/Na noite passada/Sonhei com você/Você sonhou comigo/Tivemos momentos maravilhosos/Éramos felizes/Sabíamos o que estava acontecendo/O local era esplendido e mágico/Tínhamos certeza de muita coisa/Conversamos muito/Éramos donos da situação/Como dois eternos apaixonados/Fizemos amor/Como sempre/Fomos profundos/Esquecemos o tempo/Estávamos loucamente amorosos/Depois de um longo período/De imensos carinhos/Sabíamos que o sonho ia acabar/Sabíamos que éramos namorados num sonho/Que sempre terminava/Você pegou na minha mão/Fomos dar uma caminhada pelos jardins do paraíso/Conversamos muito/Na despedida/Lágrimas molharam os nossos rostos/Precisávamos acordar/Voltar ao mundo cruel/Mundo desumano/Mundo que não permite/Que a felicidade se eternize/Mas tínhamos uma certeza/O prazo nesse mundo/Tinha um tempo/Quando acabasse/Voltaríamos ao nosso sonho/Ao nosso recanto/Que não será mais sonho/Será a nossa vida/Reiniciando para sempre/Acordo chorando/Triste/Estava voltando para prisão/Prisão da Terra/Prisão da vida/Com ódio de viver aprisionado num mundo que nunca gostei/Agora é esperar/Para voltar ao mundo que a minha alma é feliz/

terça-feira, 16 de maio de 2017

PEDAÇOS DO CORAÇÃO

Quarto de pensão de um velho casarão na Rua Conselheiro Mafra, no ano de 1971, numa noite escura, que nunca terminava. Pensamentos voando, procuravam uma sustentação emocional, que não existia. Sozinho, ouvindo o eco do tempo que penetrava na minha alma. Desde que tudo terminou, nunca mais deixei algum sentimento entrar no meu coração. Queria esquecer tudo, mas a sombra dela me acompanhava lentamente. Nenhum caminho apareceu a minha frente, a não ser aquela fisionomia que tanto me atormentava. Tentei me esconder e mudar a rotina, mas não conseguia. Quanto mais tentava distrair-me, mais o retrato da infeliz me acompanhava. Era início de outono, quando as folhas das árvores da Praça XV, começavam a cair. Deitado em minha cama, lia uma obra clássica de Dostoivieski e bebia uns goles de vodka. Como o pensamento não focava a leitura deixei de lado o livro. A angústia tomava conta de meu ser. Várias vezes olhei pela janela, para ver se havia alguém caminhando pela rua. Queria conversar e acalmar a solidão que me invadia. Para aumentar mais a melancolia, começou a cair uma garoa, acompanhada de um leve vento. Não podia negar o que sentia. Eu não sabia que iria atravessar aquela tempestade. Fazia dois anos que a Mara tinha desaparecido pela porta, como um fantasma. Não olhou para trás, saiu batendo a porta. Concordo que a nossa relação não era um paraíso, mas estava distante de ser um inferno. Ela vivia reclamando, e que gostaria de conhecer o mundo, sair do mundinho em que vivia. Eu ponderava, dizendo que era normal na vida de um casal, ter alguns momentos de tédio, mas não adiantou. Antes de partir, ela começou a beber e a se vestir com roupas provocantes. Ligava o rádio e ouvia música por um longo tempo. Eu ficava sentado no sofá da sala, vendo Mara dançar sozinha, como se estivesse numa boate. Ela não se importava mais em cuidar da casa, queria apenas ouvir música, fumar e beber. Conversava muito pouco comigo e quando eu tentava algum diálogo, ela não respondia, apenas olhava para mim, com ar de deboche. No final do ano de 1970, Mara aproximou-se e disse-me: - Estou indo embora. Cansei dessa vida. Não tenho vontade de fazer amor com você. Perdi o tesão que tinha no início da nossa relação. Não tenho culpa se não amo mais você. Você não é o culpado. Até que é um homem legal, mas não consigo te ver como o meu homem. Não adianta vivermos dessa maneira. Estamos parecendo dois irmãos. Quero ter uma vida livre e curtir a noite com quem tenha desejo. Quero ser uma mulher amada por outros homens. Você merece ter alguém que te ame e te faça feliz. Eu até tentei. Até pensei em viver assim, massacrando o meu coração. Eu até tentei ser uma hipócrita e viver de aparência, mas não deu. – Revelou com profunda determinação, me deixando sem palavras. - Você não vai falar nada? – Perguntou, olhando fixo para mim. - Estou tentando entender a tua decisão. Eu sempre te amei e estou disposto a fazer o que você quiser. Mas não quero te perder. – Respondi, com dor no coração. - Essa conversa não existe mais. Pare com essa ladainha. Está decidido. – Assinalou. Ela pegou a mala, que já estava pronta, encaminhou-se para a porta. Parou e disse: - Fernando, escute aqui: nem tente me procurar. Quero você longe de mim. – Falando com autoridade e rispidez. Eu nunca tinha visto Mara tratar-me assim. Depois desse dia, tudo mudou na minha vida. A casa foi vendida e o dinheiro foi repartido. Fui morar numa pensão, ficando recluso no meu quarto. No final da rua existia uma casa noturna, que funcionava nos finais de semana. Às vezes eu ia, mas não ficava com nenhuma mulher. Ouvia música, bebia algo e caía fora. Não era por falta de convite. Até que tinha mulheres bonitas, mas ainda estava com o coração machucado. Era um sábado, a casa noturna estava lotada. Resolvi tirar o atrasado em todos sentidos. Entrei e logo procurei uma mulher para beber comigo. Segundo o proprietário do estabelecimento, havia chegado do interior quatro belas mulheres. Ele me apresentou uma morena com um lindo corpo. Bebemos e conversamos bastante. De repente, olhei para um canto e algo me chamou à atenção. Um casal fazia amor de pé, sem nenhuma preocupação. Achei engraçado a coragem da mulher se entregar num local público. Fiquei observando e para a minha surpresa, era Mara, a minha ex-mulher. Tive vontade de tirar ela dali, mas resolvi deixar as coisas relarem. Ela percebeu que era eu e mudou de atitude. Ficou olhando o tempo todo para mim, enquanto fazia sexo oral. Após terminar, veio ao meu encontro dizendo: - Gostou do que viu? – Perguntou com ironia. - Não gostei nem um pouco. – Respondi, sem vontade de conversar. - Estou fazendo o que mais gosto na vida. Hoje sou uma mulher livre. Saí da tua prisão, para viver na liberdade do sexo. – Afirmou. - Era essa liberdade que você tanto queria? – Perguntei. - Com certeza que era. Hoje sou mulher de vários homens. Tenho o meu dinheiro e me visto bem. Sempre sonhei ter essa vida que estou levando. Se estivesse vivendo com você estaria cheia de filhos e gorda. Hoje não. Sou bonita e desejada por vários homens. – Acrescentou. Resolvi ir embora. Deixei-a falando sozinha. Não fui para casa. Caminhei até a Praça XV, sentei-me num banco, para meditar sobre a vida. De repente, ouvi gritos de socorro. Caminhei em direção à Rua Tiradentes. Estava escuro e não conseguia ver quem era. Ao me aproximar vi que era Mara, que apanhava muito de um homem. Ele gritava dizendo que era pouco dinheiro. Cheguei perto e perguntei: - Por que está batendo nela? - Isso não é da tua conta. Essa vagabunda está querendo me passar para trás. Sou dono dela. Ela faz sexo com os clientes e tem que passar oitenta por cento para mim, porque me deve. – Respondeu. - Quanto ela te deve? – Perguntei. - Você paga o que ela me deve? Ela me deve muito e além do mais, é minha prostituta. – Respondeu. - Faça o preço. - Afirmei. - Mas quem é você, para ter pena de uma vagabunda que vende o corpo? – Perguntou. - Não importa quem seja eu. –Respondi. - Está bem! Eu a vendo, mas nunca mais quero ver essa vaca na minha frente. – Disse. Paguei o preço que ele pediu e levantei Mara do chão. Estava totalmente machucada e com um braço quebrado. Ela mal podia caminhar. Chamei um táxi e levei-a ao Hospital. Ficou internada uma semana. Quando recebeu alta foi me procurar. Bateu à porta, eu abri e ela foi direta: - Quero falar duas coisas para você: primeiro, vim agradecer por te me tirado das mãos daquele cafajeste. Era o meu gigolô. Se eu não desse todo dinheiro para ele, me batia até cansar. A segunda coisa, preciso do teu perdão. – Falou com lágrimas nos olhos. - Mara, errar é humano. Você vivia bem, com alguém que te amava muito. Cuidava de você, mas resolveu largar tudo. Eu te perdôo, porque ainda te amo e podemos reconstruir a vida. – Acrescentei. Ela conversou um pouco mais e disse que voltaria no dia seguinte, para viver comigo. Abraçou-me, chorou bastante e saiu. No dia seguinte esperei por ela. Não apareceu. Ao passar em frente à Catedral, ouvi uma conversa de alguns transeuntes, de que uma mulher tinha se atirado do alto da ponte Hercílio Luz. Parei e perguntei maiores detalhes do ocorrido. Pelo que ouvi, era Mara que cometera suicídio. Fui ao IML para reconhecer o corpo. Era Mara, a mulher da minha vida, que fez de tudo para não viver comigo. Por que ela fez isso? Preferiu a morte a ficar com o meu amor. Como não tinha parentes, assinei o termo de entrega do corpo e providenciei o enterro. Todo o dia de finados vou ao cemitério levar flores e acender uma vela para uma linda mulher que foi dona do meu coração. Amei muito e até hoje não consigo esquecê-la.