terça-feira, 16 de maio de 2017

PEDAÇOS DO CORAÇÃO

Quarto de pensão de um velho casarão na Rua Conselheiro Mafra, no ano de 1971, numa noite escura, que nunca terminava. Pensamentos voando, procuravam uma sustentação emocional, que não existia. Sozinho, ouvindo o eco do tempo que penetrava na minha alma. Desde que tudo terminou, nunca mais deixei algum sentimento entrar no meu coração. Queria esquecer tudo, mas a sombra dela me acompanhava lentamente. Nenhum caminho apareceu a minha frente, a não ser aquela fisionomia que tanto me atormentava. Tentei me esconder e mudar a rotina, mas não conseguia. Quanto mais tentava distrair-me, mais o retrato da infeliz me acompanhava. Era início de outono, quando as folhas das árvores da Praça XV, começavam a cair. Deitado em minha cama, lia uma obra clássica de Dostoivieski e bebia uns goles de vodka. Como o pensamento não focava a leitura deixei de lado o livro. A angústia tomava conta de meu ser. Várias vezes olhei pela janela, para ver se havia alguém caminhando pela rua. Queria conversar e acalmar a solidão que me invadia. Para aumentar mais a melancolia, começou a cair uma garoa, acompanhada de um leve vento. Não podia negar o que sentia. Eu não sabia que iria atravessar aquela tempestade. Fazia dois anos que a Mara tinha desaparecido pela porta, como um fantasma. Não olhou para trás, saiu batendo a porta. Concordo que a nossa relação não era um paraíso, mas estava distante de ser um inferno. Ela vivia reclamando, e que gostaria de conhecer o mundo, sair do mundinho em que vivia. Eu ponderava, dizendo que era normal na vida de um casal, ter alguns momentos de tédio, mas não adiantou. Antes de partir, ela começou a beber e a se vestir com roupas provocantes. Ligava o rádio e ouvia música por um longo tempo. Eu ficava sentado no sofá da sala, vendo Mara dançar sozinha, como se estivesse numa boate. Ela não se importava mais em cuidar da casa, queria apenas ouvir música, fumar e beber. Conversava muito pouco comigo e quando eu tentava algum diálogo, ela não respondia, apenas olhava para mim, com ar de deboche. No final do ano de 1970, Mara aproximou-se e disse-me: - Estou indo embora. Cansei dessa vida. Não tenho vontade de fazer amor com você. Perdi o tesão que tinha no início da nossa relação. Não tenho culpa se não amo mais você. Você não é o culpado. Até que é um homem legal, mas não consigo te ver como o meu homem. Não adianta vivermos dessa maneira. Estamos parecendo dois irmãos. Quero ter uma vida livre e curtir a noite com quem tenha desejo. Quero ser uma mulher amada por outros homens. Você merece ter alguém que te ame e te faça feliz. Eu até tentei. Até pensei em viver assim, massacrando o meu coração. Eu até tentei ser uma hipócrita e viver de aparência, mas não deu. – Revelou com profunda determinação, me deixando sem palavras. - Você não vai falar nada? – Perguntou, olhando fixo para mim. - Estou tentando entender a tua decisão. Eu sempre te amei e estou disposto a fazer o que você quiser. Mas não quero te perder. – Respondi, com dor no coração. - Essa conversa não existe mais. Pare com essa ladainha. Está decidido. – Assinalou. Ela pegou a mala, que já estava pronta, encaminhou-se para a porta. Parou e disse: - Fernando, escute aqui: nem tente me procurar. Quero você longe de mim. – Falando com autoridade e rispidez. Eu nunca tinha visto Mara tratar-me assim. Depois desse dia, tudo mudou na minha vida. A casa foi vendida e o dinheiro foi repartido. Fui morar numa pensão, ficando recluso no meu quarto. No final da rua existia uma casa noturna, que funcionava nos finais de semana. Às vezes eu ia, mas não ficava com nenhuma mulher. Ouvia música, bebia algo e caía fora. Não era por falta de convite. Até que tinha mulheres bonitas, mas ainda estava com o coração machucado. Era um sábado, a casa noturna estava lotada. Resolvi tirar o atrasado em todos sentidos. Entrei e logo procurei uma mulher para beber comigo. Segundo o proprietário do estabelecimento, havia chegado do interior quatro belas mulheres. Ele me apresentou uma morena com um lindo corpo. Bebemos e conversamos bastante. De repente, olhei para um canto e algo me chamou à atenção. Um casal fazia amor de pé, sem nenhuma preocupação. Achei engraçado a coragem da mulher se entregar num local público. Fiquei observando e para a minha surpresa, era Mara, a minha ex-mulher. Tive vontade de tirar ela dali, mas resolvi deixar as coisas relarem. Ela percebeu que era eu e mudou de atitude. Ficou olhando o tempo todo para mim, enquanto fazia sexo oral. Após terminar, veio ao meu encontro dizendo: - Gostou do que viu? – Perguntou com ironia. - Não gostei nem um pouco. – Respondi, sem vontade de conversar. - Estou fazendo o que mais gosto na vida. Hoje sou uma mulher livre. Saí da tua prisão, para viver na liberdade do sexo. – Afirmou. - Era essa liberdade que você tanto queria? – Perguntei. - Com certeza que era. Hoje sou mulher de vários homens. Tenho o meu dinheiro e me visto bem. Sempre sonhei ter essa vida que estou levando. Se estivesse vivendo com você estaria cheia de filhos e gorda. Hoje não. Sou bonita e desejada por vários homens. – Acrescentou. Resolvi ir embora. Deixei-a falando sozinha. Não fui para casa. Caminhei até a Praça XV, sentei-me num banco, para meditar sobre a vida. De repente, ouvi gritos de socorro. Caminhei em direção à Rua Tiradentes. Estava escuro e não conseguia ver quem era. Ao me aproximar vi que era Mara, que apanhava muito de um homem. Ele gritava dizendo que era pouco dinheiro. Cheguei perto e perguntei: - Por que está batendo nela? - Isso não é da tua conta. Essa vagabunda está querendo me passar para trás. Sou dono dela. Ela faz sexo com os clientes e tem que passar oitenta por cento para mim, porque me deve. – Respondeu. - Quanto ela te deve? – Perguntei. - Você paga o que ela me deve? Ela me deve muito e além do mais, é minha prostituta. – Respondeu. - Faça o preço. - Afirmei. - Mas quem é você, para ter pena de uma vagabunda que vende o corpo? – Perguntou. - Não importa quem seja eu. –Respondi. - Está bem! Eu a vendo, mas nunca mais quero ver essa vaca na minha frente. – Disse. Paguei o preço que ele pediu e levantei Mara do chão. Estava totalmente machucada e com um braço quebrado. Ela mal podia caminhar. Chamei um táxi e levei-a ao Hospital. Ficou internada uma semana. Quando recebeu alta foi me procurar. Bateu à porta, eu abri e ela foi direta: - Quero falar duas coisas para você: primeiro, vim agradecer por te me tirado das mãos daquele cafajeste. Era o meu gigolô. Se eu não desse todo dinheiro para ele, me batia até cansar. A segunda coisa, preciso do teu perdão. – Falou com lágrimas nos olhos. - Mara, errar é humano. Você vivia bem, com alguém que te amava muito. Cuidava de você, mas resolveu largar tudo. Eu te perdôo, porque ainda te amo e podemos reconstruir a vida. – Acrescentei. Ela conversou um pouco mais e disse que voltaria no dia seguinte, para viver comigo. Abraçou-me, chorou bastante e saiu. No dia seguinte esperei por ela. Não apareceu. Ao passar em frente à Catedral, ouvi uma conversa de alguns transeuntes, de que uma mulher tinha se atirado do alto da ponte Hercílio Luz. Parei e perguntei maiores detalhes do ocorrido. Pelo que ouvi, era Mara que cometera suicídio. Fui ao IML para reconhecer o corpo. Era Mara, a mulher da minha vida, que fez de tudo para não viver comigo. Por que ela fez isso? Preferiu a morte a ficar com o meu amor. Como não tinha parentes, assinei o termo de entrega do corpo e providenciei o enterro. Todo o dia de finados vou ao cemitério levar flores e acender uma vela para uma linda mulher que foi dona do meu coração. Amei muito e até hoje não consigo esquecê-la.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

TRANSCENDENTAL VIVER

A chuva cai intensamente/ Não escolho sol/ Nem chuva/ Nem frio/ Nem calor/ Continuo a correr/ Sentindo a água deslizar/ Sobre o meu corpo/ Não tenho preocupação/ Sou livre no mundo/ Não me importo/ Com o olhar das pessoas/ Prefiro sentir a extraordinária/ Sensação de ser livre/ Não quero mais nada/ Quero simplesmente viver/ Enquanto a vida permitir/ Não me importo com o mundo/ Quando morrer/ O mundo/ Não vai se importar comigo/ Porque serei mais um/ Que desapareceu/ Por detrás da montanha/ Que chova/ O quanto a natureza quiser/ Porque é preciso/ Que a terra seja molhada/ Que as sementes possam germinar/ Que os frutos possam crescer/ Amadurecer/ E o ciclo se complete/ Assim como é preciso/ Que a vida seja sentida/ De forma profundamente mágica/ Transcendental/ Quero sentir cada gota de chuva/ Fria ou quente/ Fraca ou forte/ Assim como/ Viver cada segundo/ Observar o bailar/ Das gotas de chuva/ Molhando as florestas/ As montanhas/ As planícies/ Porque não me importo/ Com a opinião dos ignorantes/ Eles passam/ Desaparecem/ Eu permaneço no comando/ E no jeito da minha vida/ A vida é uma usina de energia/ Tanto positiva/ Quanto negativa/ Prefiro me ligar à positiva/ Enquanto tiver força para correr/ Vou correndo/ Vou vivendo/ Sem olhar para trás/ Nem pensar no que vai acontecer/ No dobrar da esquina/ Não sou dono do futuro/ Não tenho nenhum poder/ Para modificar o passado/ Estou aqui/ Correndo e correndo.../ A vida é igual a uma nuvem/ Passa rápido/ Num piscar de olhos/ Envelheci/ Então.../ Não vale a pena/ Interagir com a negatividade da vida/ Não quero me arrepender de nada/ Distância dos vícios/ Continuar sendo/ Zelador da saúde/ Quero abraçar a musicalidade do momento/ Transformar os restos dos dias/ Numa bela canção/ Para ser cantada/ A cada nascer de um novo dia/ Sorrir e sorrir/ Compartilhar as alegrias/ Que a vida oferece/ Desconectar de pessoas/ Que vivem tristes/ Amargas/ Raivosas/ Que brigam por qualquer coisa/ Não levar a sério/ Nenhuma provocação/ Bloquear a inveja/ O ciúme/ A vingança/ O rancor/ Porque sou um ser acima/ Do clima hostil/ Dos seres humanos/ Não vou mudar o mundo/ O mundo é muito grande/ Complicado/ Pesado/ Violento/ Desumano/ Quero continuar/ Correndo na chuva/ No sol quente/ Nas areias quentes do mundo/ Correndo como um lobo/ Permitindo que os deuses/ Construam a minha estrada/ Da forma que eles quiserem/ Por onde eu passar/ Correndo e correndo/ Saltitando como um menino/ Alegre e feliz.../

segunda-feira, 8 de maio de 2017

AMANTE DA RUA JOÃO PINTO

A Rua João Pinto estava misteriosa e não tinha ninguém. O frio era intenso e a noite estava silenciosa. Já passava da meia-noite. Era inverno de 1969 e as rádios noticiavam que o homem tinha pisado na lua. Não tinha acreditado. Estávamos vivendo uma época de escuridão política. Muitos companheiros de luta tinham desaparecido nas masmorras do regime militar. Tudo era proibido, inclusive pensar em novas estradas. Para um escritor, era um momento perigoso. A angústia invadia o meu coração. Caminhava sozinho à procura de uma mulher. No céu, as estrelas brilhavam, fazendo companhia para a lua cheia. Um leve vento soprava os papéis da rua. Procurava um bar aberto para beber alguma coisa e não tinha encontrado. Encostei-me na parede de um casario e fiquei observando o silêncio que tomava conta da noite. Tinha saído de casa perto da meia-noite, estava sem sono e queria ter um momento de prazer ao lado de uma linda mulher. Estranho, alguma força guiava-me para um lugar que não sabia para onde. Eram três horas da madrugada, quando ouvi passos vindo em minha direção. Olhei para o lado e vi uma bonita mulher, trajando um vestido vermelho, colado ao corpo. Ela tinha um belo par de coxas e lábios carnudos, que deixavam qualquer homem em ponto de bala. Morena, olhos castanhos, rosto de anjo, sorrindo, perguntou: - O que faz um belo homem sozinho numa rua escura e fria a essas horas da madrugada? - Caminho à procura de alguém para conversar. – Respondi. - Só quer conversar? – Questionou a sensual morena, deixando a porta aberta para outras interpretações. - Acho que uma conversa é o início de algo promissor. – Revelei. - Concordo. Eu meu chamo Lídia. Também procuro alguma coisa que preencha o meu momento de uma mulher que adora ter instantes mágicos. Como você se chama? – Perguntou, com ar de total entrega. - Pedro. À sua disposição, para tudo que desejar. – Respondi, com sorriso de alguém que não quer esperar muito para avançar o sinal. - Bonito nome! – Revelou Lídia, demonstrando que tinha entendido a minha malícia. Olhamos nos olhos. Sem rodeios a trouxe para os meus braços. Longo beijo na boca aconteceu. Encostei a linda mulher com o rosto voltado para a parede do casario, deixando o bumbum dela à minha disposição. Ela levantou o vestido, baixando a calcinha. Baixei a calça e fizemos amor ali mesmo, de pé. Enquanto a noite reinava, a rua João Pinto ouvia os nossos gemidos. A lua sorria ao ver os amantes em loucas trocas de carícias. Logo adiante um cachorrinho de rua, nos observava abanando o rabo, demonstrando que estava entendendo o nosso momento. Ficamos longo tempo fazendo amor, sem nenhuma preocupação com o horário. Lídia era uma mulher completa. Fizemos sexo oral e anal sem nenhum preconceito. Ela sabia satisfazer um homem. Ao terminarmos, ela levantou a calcinha, baixou o vestido, olhou-me mim e disse: - Pedro, você é um grande amante. Selvagem na forma de fazer amor. Esgota qualquer mulher. Tem uma grande ferramenta que nunca senti na minha vida de mulher. Mesmo quando vivia na Terra, jamais experimentei alguém tão forte e grande como você. Eu fiquei parado e estremecido com a revelação dela. Lídia deu mais um longo olhar para mim e saiu caminhando vagarosamente em direção à Praça XV. Ao dobrar a esquina, ela olhou pela última vez. Abanei para ela e fiquei ali parado por um bom tempo. Já era quase cinco da manhã, quando um senhor de meia idade aproximou-se de mim e disse: - Você viu uma mulher usando um vestido vermelho, caminhando por aí? - Vi. – Respondi, intrigado. - Ela é minha mulher. – Respondeu, com ar malicioso. - Sua mulher? – Perguntei. - Sim é a minha mulher. Estamos casados há cinqüenta anos. Ela tem por costume sair aos domingos de madrugada. Gosta de caminhar pela Rua João Pinto. – Respondeu com naturalidade. - Mas ela disse que é do outro lado da... Nem terminei de falar e o misterioso homem revelou: - Somos seres do além. Fomos assassinados no início do século nesta rua e até hoje não descobriram o assassino. Você fez amor com ela. Eu estava junto quando você a encostou na parede e fez o que eu sempre gostava de fazer. Nos domingos costumávamos vir a esta rua, para fazer amor. Foi numa dessas saídas noturnas que fomos assassinados, estávamos fazendo amor exatamente no local que você fez com ela. Ela gostou de você. Venha aos domingos aqui. Eu não posso dar a ela o que ela mais quer. – Revelou. Virei amante de uma mulher do outro do mundo. E assim, todos os domingos me arrumo, e vou ao encontro de Lídia.

sábado, 6 de maio de 2017

QUE O CORAÇÃO SEJA LIVRE

Quando chegar à hora/Tudo vai mudar/Mudar para sempre/Sem volta/Apenas seguir outro caminho/Caminho escolhido/Livre e sem pressão/Outras paisagens/Vão curar a dor/Sem fuga/A escolha/È a essência da liberdade/Escolher a luz/É melhor que a noite/Escolhe o sol/É melhor que a escuridão/Escolher viver em outro lugar/É melhor que viver dentro de uma jaula/Às vezes caminhar sozinho/É o melhor remédio/Acompanhado/Nem sempre é salutar/Alguém acaba sendo prisioneiro/O ser humano é possessivo/Quer comandar o destino do outro/Caminhar numa praia deserta/Ouvindo o barulho das ondas/Abraçando a areia/É melhor que viver triste/Numa avenida de uma cidade grande/Ou mesmo morando numa mansão/Com o coração amargurado/Dormir e acordar/Sentir a brisa da manhã/Tocando o rosto/Sem ninguém para atrapalhar a liberdade/Sair bem cedo/Para um lugar escolhido/Curtir as paradas/Observar os pássaros/Que voam alegres no horizonte/Interagir com a natureza/Ouvir o barulho das águas de um pequeno riacho/Que viaja feliz/Em direção do oceano/Sentar na beira da estrada/Colher uma fruta silvestre/Ouvindo o cantar de um pássaro/Que canta para a sua amada/Deixar esse mundo violento/Criar um mundo livre/Repleto de lindas canções/Onde ninguém/Seja dono de ninguém/Onde todos/Caminhem o seu próprio caminho/Que ninguém seja violentado/Nos seus mais sagrados direitos/Que o homem/E a mulher/Possam escolher/Livremente/A direção da vida/Que possam amar/Livremente/O que o coração escolher/Que tentar mudar/Seja uma apaixonada determinação/Que a consciência nunca pese/Quando acontecer uma derrota/Que a derrota/Seja transformada numa bela lição/Para a próxima vitória/Que o coração nunca seja aprisionado/Que a alma/Seja como um pássaro/Voa alto/Bem alto/Depois volte/Para o seu verdadeiro ninho/

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A TROVA DO VIVENTE

Faço o que penso/Dispenso conselho/Desaconselho ouvir palpite/Que desconstrói os passos da estrada/Faço a minha estrada/Porque somente eu caminharei/Discordo dos palpiteiros/Que se metem na vida dos outros/Ao invés de cuidar da sua vida/Cuido de mim/Sou surdo de conversa que não construa/Ouço de bom grado/Uma prosa onde enalteça os bons momentos da vida/Não gosto de elogio/Sempre tem algum interesse/Não critico/Detesto critica/Cada um tem a sua vida/Assumo os erros/Não culpo ninguém pelos meus descompassos/Não enjeito em viajar/Gosto de conhecer novos ares/Tenho nojo de mentira/Não mexa comigo/Porque não mexo com ninguém/Respeito a mulher dos outros/Mas não mexa com a minha/Sou valente/Mas reconheço o vivente fraco/Não provoco ninguém para brigar/Mas não corro de uma boa briga/Não tenho medo de cara feia/Nem de tempestade/Não jogo pedra no telhado do vizinho/Mas nem tentem/ Jogar pedra no meu telhado/Sou do tempo/Que documento não era importante/A honestidade estava no fio do bigode do sujeito/Hoje quanto mais documento se assina/Mais desonesto o sujeito fica/Sou vivente/Descrente das religiões/Acredito que o meu destino/É feito no andar dos meus passos/Não posso acreditar nas coisas que não vejo/Não confesso a ninguém os segredos do meu coração/Não dou ouvido para choradeira dos outros/Porque o que tem que acontecer/Vai acontecer/Independente de qualquer reza/Muitos menos/Da prova de outro vivente/Tão errado/Quanto eu/

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O QUE IMPORTA?

Não importa que o dia acabe/Não importa que a noite termine/O que importa/Que o momento seja eterno/Não importa que as horas passem/O que importa/Que os segundos sejam infinitos/Não importa que os anos passem/O que importa/Que consiga degustar as mais belas sensações/Que a vida coloca a disposição/Não importa que a vida seja uma só/O que importa/Que os anos sejam aproveitados/De forma bela e apaixonante/Não importa a dor/O que importa/Que ela seja provisória/Não importa/Se o dia de hoje seja triste/O que importa/Que amanhã/O sol vai nascer outra vez/E seus raios iluminem os cantos escuros da alma/Não importa que o amor termine/O que importa/Que enquanto durar/Seja pautado por infinitos carinhos/Não importa a pobreza/O que importa/Que o coração seja rico em doces emoções/Não importa que a chuva demore para molhar a terra seca/O que importa/Que a sede da terra seja saciada/Não importa a solidão/O que importa/Que enquanto a solidão permanecer no coração/A musica acompanhe cada goda de tristeza/Não importa se o mundo é violento/O que importa/Que o meu mundo/Seja uma ilha de paz/Não importa que haja alguém que não goste de mim/O que importa/Que eu não tenha ódio no coração/Não importa que haja alguém que fale mal de mim/O que importa/Que eu fale bem de todos/

LAMENTO DAS ALMAS

Almas que penam pelo mundo/Pelas escolhas erradas que fizeram/Almas covardes/Sem coragem para buscar novos caminhos/Caminhos destruídos pela incompreensão da sociedade/Noites mal dormidas/Vivem esperando o desfecho final/Perto fisicamente/Longe de nobres sentimento/Amor que virou ódio/Ódio expressado nos olhos/Olhos distantes/Melancólicos/Fazem do álcool a bandeira da vida/Vida sem graça/Desgraçada vida/Filhos de famílias desnorteadas/Desfiguradas por crises existenciais/Almas penadas/Destronadas/Viventes de um gueto/Numa metrópole violenta/Criaturas sem ninho/Almas penadas e sujas/Usuários de drogas/Lento suicídio/Fim sem enterro/Enterradas como indigentes/Num velho cemitério/Nunca viveram como gente/Consideradas como gente loucas/Marginais/Que fazem da sarjeta/A cama fria da noite/Noite escura/Derradeiro fim das almas penadas/Que penam/Choram/Lamentam/O Destino cruel/Que fazem das suas vidas/Uma corrente de lágrimas/Lágrimas da alma/Do coração/De corpos dilacerados pelas estocadas de uma vida/Que não é vida/E sim/Violentos lamentos/